Toffoli marca julgamento de recursos de big techs sobre responsabilização de redes sociais em contexto de Política Econômica Toffoli marca julgamento de recursos de big techs sobre responsabilização de redes sociais em contexto de Política Econômica

Toffoli marca julgamento de recursos de big techs sobre responsabilização de redes sociais

O ministro Dias Toffoli agendou o julgamento de recursos das big techs no STF sobre responsabilização por conteúdos, em meio a novos decretos de Lula.

O ministro do Supremo Tribunal Federal ( STF ), Dias Toffoli, pautou para o plenário virtual da Corte o julgamento de recursos apresentados por empresas de tecnologia. A análise, que ocorrerá entre os dias 29 de maio e 9 de junho, questiona a decisão do tribunal que ampliou a responsabilização das plataformas digitais por conteúdos publicados por usuários.

O agendamento coincide com a assinatura, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de decretos que atualizam a regulamentação do Marco Civil da Internet. As novas normas visam alinhar a atuação das big techs à tese fixada pelo STF no ano passado, quando a Corte decidiu, por 8 votos a 3, que parte do artigo 19 do Marco Civil é inconstitucional.

Regras da ANPD e fiscalização das plataformas

Com os novos decretos, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) passa a ter competência para fiscalizar a atuação sistêmica das plataformas. A agência poderá requisitar dados e informações, além de definir procedimentos operacionais, embora esteja impedida de atuar sobre postagens individuais. As empresas deverão manter canais para denúncias de crimes e armazenar dados de anunciantes por um ano para auxiliar investigações.

O STF estabeleceu quatro regimes de responsabilização para as plataformas:

  • Responsabilidade após notificação privada:para conteúdos criminosos, ilícitos e contas inautênticas;
  • Responsabilidade após ordem judicial:para crimes contra a honra (calúnia, injúria e difamação);
  • Responsabilidade automática:para anúncios pagos e redes artificiais de distribuição (robôs);
  • Dever de cuidado:programação de algoritmos para impedir a circulação massiva de crimes graves.

Empresas como Meta e Google pedem clareza no STF

Nos embargos de declaração, empresas como Meta e Google alegam que a decisão do STF contém omissões e obscuridades, gerando insegurança jurídica. As companhias solicitam que a tese só passe a valer após o trânsito em julgado da ação e pedem um prazo de seis meses para adaptação.

A Meta argumenta que o novo regime de responsabilidade civil exige parâmetros mais claros para evitar riscos de censura. Já o Google defende a necessidade de diretrizes mais objetivas para evitar interpretações divergentes em tribunais de instâncias inferiores.

Fonte: Estadão