O editor do The New York Times, A.G. Sulzberger, afirmou que a inteligência artificial generativa representa uma ameaça existencial ao ecossistema de informações. Segundo o executivo, o uso de dados protegidos por direitos autorais sem compensação financeira configura um parasitismo que coloca em risco a viabilidade do jornalismo profissional e a saúde da esfera pública global.
O roubo de propriedade intelectual como modelo de negócio
Sulzberger destacou que as empresas de tecnologia consolidam um controle desproporcional sobre dados e atenção ao ignorar direitos autorais. “As empresas de IA saquearam todo o conjunto de obras originais da civilização — um ato que também ameaça o futuro de livros, filmes, músicas, pesquisas científicas e uma série de outros campos”, declarou o editor. Ele ressaltou que, enquanto talentos e infraestrutura são pagos, o conteúdo jornalístico é tratado como uma commodity gratuita.
O executivo reforçou que o sucesso dos modelos de linguagem não depende apenas de arquitetura, mas da qualidade dos dados. “A OpenAI confessou que seria impossível treinar os modelos de IA líderes de hoje sem usar materiais protegidos por direitos autorais”, pontuou. Esse cenário de apropriação indevida é um dos temas centrais que o STF julga recursos de big techs sobre responsabilidade, refletindo a tensão global sobre o papel dessas plataformas.
Impacto na receita e na confiança pública
A transição para um modelo de busca mediado por IA tem reduzido drasticamente o tráfego para sites de notícias, dificultando a monetização via publicidade e assinaturas. Sulzberger observou que o tráfego de referência de modelos de IA é **96% menor** do que o da busca tradicional do Google. Além disso, a tendência de substituir o trabalho humano por respostas geradas por máquinas aumenta o risco de desinformação.
“Como a IA tende a ser ruim em expressar incerteza, ela frequentemente não está apenas errada — está errada com confiança”, alertou. O editor defende que as organizações de notícias devem se posicionar como alternativas confiáveis, focando em reportagens originais que a tecnologia não consegue replicar. Para ele, a sobrevivência do setor depende de uma postura coletiva mais firme contra o uso predatório de conteúdos por parte dos gigantes tecnológicos.
Fonte: G1