O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, nesta terça-feira (2), que solicitou diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o governo americano não aplique sobretaxas sobre produtos e empresas brasileiras. O pleito foi apresentado durante uma série de reuniões realizadas na semana passada, em Washington, com a presença do vice-presidente J.D. Vance e do secretário de Estado, Marco Rubio.
A movimentação diplomática ocorre após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propor, na segunda-feira (1), a taxação de 25% sobre mercadorias brasileiras. A proposta é desdobramento de uma investigação iniciada em julho de 2025, que alega a existência de práticas comerciais restritivas no Brasil, citando o sistema Pix, o desmatamento, falhas na proteção de propriedade intelectual e lacunas na aplicação de leis anticorrupção.
Retaliação à gestão petista e diplomacia comercial
Flávio Bolsonaro classificou a medida americana como uma retaliação direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não ao setor produtivo nacional. Conforme o parlamentar, a postura do governo Trump estaria ligada a uma desconfiança quanto à gestão atual, especialmente pela busca brasileira de alternativas ao uso do dólar como moeda de referência para o comércio internacional.
“Lula ainda tem tempo de negociar e defender as empresas brasileiras”, afirmou o senador em entrevista à Rádio Itatiaia. Ele reforçou que a imposição tarifária ainda consta como uma sugestão técnica e que a implementação definitiva está prevista para julho, o que permitiria um intervalo para negociações diplomáticas.
Cronograma de sanções e agenda de segurança
A investigação conduzida pelos EUA estabeleceu um rito que compreende audiências e consultas públicas, com a data limite para definição das sanções fixada em 15 de julho de 2026. O relatório do USTR prevê exceções para bens classificados como vitais à segurança nacional, segmento que contempla café, frutas, carne, aeronaves e terras raras.
Em paralelo às tratativas econômicas durante sua estadia em solo americano, o senador também confirmou ter solicitado que a Casa Branca classifique o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O anúncio dessa classificação oficial ocorreu dias após a série de encontros realizada pela comitiva brasileira.
Fonte: UOL