O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, rejeitou neste sábado (6) as declarações do presidente libanês, Joseph Aoun, de que o Líbano funciona como moeda de troca para Teerã em negociações com os Estados Unidos. O chanceler utilizou as redes sociais para confrontar a narrativa de que o país seria um ativo de barganha diplomática.
“Se o Líbano fosse uma moeda de troca, já teríamos um acordo há muito tempo”, publicou Araghchi no X. O ministro rebateu diretamente as acusações de Aoun, questionando a lógica por trás das críticas recebidas pelo governo iraniano.
“Com base nos comentários do Sr. Aoun, alguém pensaria que é o Irã que ocupou 1/5 do Líbano, deslocou 1/4 dos libaneses e bombardeia seu país diariamente. Salve o Líbano do seu verdadeiro inimigo, Sr. Presidente”, declarou Araghchi em sua postagem oficial.
Aoun acusa Irã de explorar interesses libaneses
O posicionamento do chanceler iraniano responde a críticas feitas pelo presidente do Líbano, Joseph Aoun. Em entrevista, Aoun acusou o Irã de explorar sua nação como moeda de troca na guerra contra os Estados Unidos e Israel, exigindo que o regime iraniano cesse a interferência nos assuntos internos libaneses.
O presidente libanês afirmou que a população está exausta do conflito entre Israel e o Hezbollah. “Vocês não estão tentando nos ajudar… o povo do Líbano está pagando o preço… em nome de seus próprios interesses”, disse Aoun, reforçando que os interesses de Teerã não coincidem com os do Líbano.
Aoun também direcionou críticas à Guarda Revolucionária Islâmica, declarando: “Este não é o seu país, é o nosso país”. O cenário de tensão regional se agravou com relatos de interceptações de mísseis iranianos direcionados ao Kuwait e ao Bahrein, embora o Comando Central dos EUA tenha negado danos ao quartel-general da Quinta Frota.
Escalada militar afeta rotas de petróleo e estabilidade
A crise atual remonta ao dia 28 de fevereiro, quando o governo dos Estados Unidos anunciou um ataque de grande escala ao Irã. O objetivo declarado era eliminar ameaças iminentes do regime, incluindo o programa nuclear, que tem sido um ponto de atrito constante em negociações internacionais.
Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel resultaram na morte do então líder supremo, Ali Khamenei, causando milhares de mortes e danos a edifícios históricos. Em resposta, o Irã retaliou com ataques em todo o Oriente Médio e fechou o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
O início do conflito ocorreu após protestos em massa contra o regime no Irã, motivados pelo descontentamento econômico e pelo aumento do custo de vida. A situação atual reflete a complexidade das tensões geopolíticas que impactam diretamente a estabilidade, similar a outros episódios como os ataques de Israel no sul do Líbano.
Fonte: Cnnbrasil