Governo brasileiro reage a proposta de tarifas dos EUA e aponta interferência política em contexto de Política Econômica Governo brasileiro reage a proposta de tarifas dos EUA e aponta interferência política em contexto de Política Econômica

Governo brasileiro reage a proposta de tarifas dos EUA e aponta interferência política

O governo brasileiro contesta a proposta dos EUA de aplicar tarifa de 25% sobre produtos nacionais, alegando interferência política e defendendo o Pix.

O governo brasileiro manifestou formalmente sua indignação após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação preliminar que propõe a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, aponta supostas práticas comerciais desleais, incluindo o funcionamento do sistema de pagamentos instantâneos pix, questões ambientais e falhas no combate à corrupção.

Executivo classifica tarifa como injustificável e defende neutralidade do Pix

Em nota oficial, o Executivo brasileiro classificou a proposta como injustificável e ressaltou que o brasil se reserva o direito de adotar medidas de reciprocidade. O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou o tom crítico, classificando a iniciativa americana como injusta. O governo defende que a política comercial brasileira não discrimina empresas estrangeiras e que o Pix é uma infraestrutura pública neutra.

O comunicado oficial também atribuiu parte da tensão a articulações de membros da família Bolsonaro, mencionando especificamente a recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. O governo alega que tais investidas sabotam o diálogo diplomático entre as gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Flávio Bolsonaro nega envolvimento em taxação enquanto oposição critica gestão

O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, negou qualquer responsabilidade na proposta de taxação. Em entrevista à Rádio Itatiaia, o parlamentar afirmou ter solicitado expressamente a Trump que não aplicasse tarifas contra empresas brasileiras. Ele classificou as críticas do governo como “terrorismo” e argumentou que a medida seria uma retaliação direta à postura de Lula na política internacional.

Aliados do presidente Lula, como a deputada Gleisi Hoffmann, reagiram duramente, rotulando a atuação da família Bolsonaro como contrária aos interesses nacionais e defendendo a soberania do Pix. Do outro lado, parlamentares da oposição, como o deputado Cabo Gilberto, atribuíram a responsabilidade pelas tarifas à gestão econômica do atual governo.

Decisão final sobre sobretaxas depende de consultas até julho de 2026

A proposta de tarifa de 25% ainda não está em vigor e depende de consultas públicas, com prazo final para decisão previsto para 15 de julho de 2026. Paralelamente, o governo Trump anunciou ajustes em tarifas de aço e alumínio sob a Seção 232, focadas em segurança nacional, que afetam diversos países, incluindo o Brasil.

Fonte: G1