Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir a exibição, distribuição e impulsionamento do filme Dark Horse. A obra, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, é alvo da ofensiva jurídica por suspeitas de que possa ser utilizada como propaganda eleitoral dissimulada no pleito de 2026.
Mário Frias agradece apoio de Daniel Vorcaro em áudios
A ação fundamenta-se na divulgação de áudios pelo site Intercept, cuja autenticidade foi confirmada pela TV Globo. Nas mensagens, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) agradece ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, pelo aporte ao projeto. Em um registro de dezembro de 2024, Frias afirma que o filme representa uma “questão de justiça divina” e desempenha um “papel histórico imprescindível”.
O parlamentar havia negado anteriormente o recebimento de recursos do banqueiro. Após a revelação das mensagens, Frias alterou o posicionamento, argumentando que Vorcaro não figurava formalmente como investidor direto, mas que o vínculo jurídico se consolidou por meio da empresa Entre Investimentos.
Financiamento do filme soma R$ 65,7 milhões
De acordo com Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora GoUp, o orçamento total da produção é estimado em US$ 13 milhões, valor equivalente a cerca de **R$ 65,7 milhões**. Segundo os dados, mais de 90% desse montante teria sido viabilizado pelo empresário Daniel Vorcaro, fato que já havia sido admitido anteriormente pelo senador Flávio Bolsonaro durante a articulação do projeto.
A petição levanta preocupações sobre possíveis casos de abuso de poder econômico e financiamento político irregular. Os autores destacam que a complexa estrutura financeira, que envolveria um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, apresenta contradições sobre a origem e o destino final dos recursos, sugerindo a necessidade de apuração por suspeitas de lavagem de dinheiro e caixa dois.
Investigação solicitada a órgãos de controle
O pedido ao TSE inclui a solicitação de comunicação formal a diversos órgãos de Estado. Os aliados do governo solicitam que a Polícia Federal, o Banco Central, a Receita Federal e o Coaf sejam acionados para investigar possíveis crimes contra o sistema financeiro, evasão de divisas e a ocultação de beneficiário final nas transações.
A defesa da medida utiliza como precedente a decisão do TSE de 2022, que determinou a interrupção da exibição de um documentário sobre Bolsonaro no período que antecedeu o segundo turno das eleições presidenciais daquele ano.
Fonte: G1