A diálise representa um dos tratamentos mais bem-sucedidos da história da medicina. Antes de sua implementação, pacientes diagnosticados com falência renal não possuíam perspectivas de sobrevivência. Hoje, avanços tecnológicos constantes nas máquinas e nos insumos utilizados elevam a qualidade de vida dos enfermos.
Durante o programa Sinais Vitais com Dr. Kalil, o vice-diretor do Hospital do Rim e professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Lúcio Requião, acompanhado pelo especialista do Hospital do Rim, Caio Bastos, apresentaram as duas modalidades disponíveis: hemodiálise e diálise peritoneal.
Hemodiálise e diálise peritoneal: os dois métodos disponíveis
Segundo Caio Bastos, a hemodiálise permanece como o método mais difundido no brasil. Nela, o paciente necessita comparecer a uma clínica especializada, onde a máquina executa a filtragem do sangue que os rins não conseguem mais realizar. “O mais famoso aqui no Brasil é a hemodiálise, em que o paciente vai para uma clínica e lá é feito um acesso do sangue do paciente até a máquina, para a máquina fazer a função que o rim mais faz, que é filtrar o sangue”, explicou Bastos.
A modalidade alternativa, conhecida como diálise peritoneal, permite que o paciente realize o tratamento no conforto do lar. Através de um acesso na região abdominal, o indivíduo conecta-se a um equipamento que infunde um líquido purificador. “Ele se conecta através da barriga a uma máquina que ele pode mesmo se ligar e a máquina infunde esse líquido na barriga e esse líquido também consegue limpar as impurezas do sangue”, detalhou o especialista.
Desconhecimento limita adesão à diálise peritoneal no Brasil
Dados apresentados por Lúcio Requião indicam que 95% dos pacientes em tratamento dialítico no brasil utilizam hemodiálise, enquanto apenas 5% optam pela diálise peritoneal. Para Caio Bastos, o desequilíbrio é fruto da falta de informação. “Nos centros que estimulam ou que divulgam ao paciente que existem dois métodos que são tão bons quanto e que as diferenças são por preferência pessoal, a tendência é que mais ou menos metade e metade escolha diálise peritoneal ou hemodiálise”, afirmou Bastos.
Enquanto o México alcança taxas de até 50% de uso da diálise peritoneal, a Colômbia implementou um plano de expansão estruturado que serve como modelo. A adoção de novas tecnologias, tal como ocorre na modernização do agro, torna a otimização de processos de saúde fundamental para superar ineficiências.
Plano nacional mira expansão para 20% da rede
Requião ressaltou que a rede de atenção à doença renal encontra-se saturada, com a hemodiálise exigindo infraestrutura complexa e tempo de implantação que chega a três anos. Em contrapartida, a diálise peritoneal oferece agilidade, com treinamento do paciente realizado em um período de 10 a 15 dias.
“Num país como o Brasil, que é um país continental, você tem que se deslocar a um centro para poder fazer uma terapia. Na cidade de São Paulo não é tão impactante, mas no norte e nordeste, por exemplo, você acaba criando vazios de assistência que a diálise peritoneal pode cobrir”, afirmou o vice-diretor. Para reverter esse quadro, o Ministério da Saúde lançou um plano para aumentar a utilização da diálise peritoneal de 5% para 20% no médio e longo prazo.
Fonte: Cnnbrasil