Paciente realizando tratamento de diálise peritoneal em ambiente domiciliar. Paciente realizando tratamento de diálise peritoneal em ambiente domiciliar.

Diálise peritoneal ganha plano de expansão no Brasil

Ministério da Saúde busca elevar diálise peritoneal para 20%. A diálise representa um dos tratamentos mais bem-sucedidos da história da medicina ….

A diálise representa um dos tratamentos mais bem-sucedidos da história da medicina. Antes de sua implementação, pacientes diagnosticados com falência renal não possuíam perspectivas de sobrevivência. Hoje, avanços tecnológicos constantes nas máquinas e nos insumos utilizados elevam a qualidade de vida dos enfermos.

Durante o programa Sinais Vitais com Dr. Kalil, o vice-diretor do Hospital do Rim e professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Lúcio Requião, acompanhado pelo especialista do Hospital do Rim, Caio Bastos, apresentaram as duas modalidades disponíveis: hemodiálise e diálise peritoneal.

Hemodiálise e diálise peritoneal: os dois métodos disponíveis

Segundo Caio Bastos, a hemodiálise permanece como o método mais difundido no brasil. Nela, o paciente necessita comparecer a uma clínica especializada, onde a máquina executa a filtragem do sangue que os rins não conseguem mais realizar. “O mais famoso aqui no Brasil é a hemodiálise, em que o paciente vai para uma clínica e lá é feito um acesso do sangue do paciente até a máquina, para a máquina fazer a função que o rim mais faz, que é filtrar o sangue”, explicou Bastos.

A modalidade alternativa, conhecida como diálise peritoneal, permite que o paciente realize o tratamento no conforto do lar. Através de um acesso na região abdominal, o indivíduo conecta-se a um equipamento que infunde um líquido purificador. “Ele se conecta através da barriga a uma máquina que ele pode mesmo se ligar e a máquina infunde esse líquido na barriga e esse líquido também consegue limpar as impurezas do sangue”, detalhou o especialista.

Desconhecimento limita adesão à diálise peritoneal no Brasil

Dados apresentados por Lúcio Requião indicam que 95% dos pacientes em tratamento dialítico no brasil utilizam hemodiálise, enquanto apenas 5% optam pela diálise peritoneal. Para Caio Bastos, o desequilíbrio é fruto da falta de informação. “Nos centros que estimulam ou que divulgam ao paciente que existem dois métodos que são tão bons quanto e que as diferenças são por preferência pessoal, a tendência é que mais ou menos metade e metade escolha diálise peritoneal ou hemodiálise”, afirmou Bastos.

Enquanto o México alcança taxas de até 50% de uso da diálise peritoneal, a Colômbia implementou um plano de expansão estruturado que serve como modelo. A adoção de novas tecnologias, tal como ocorre na modernização do agro, torna a otimização de processos de saúde fundamental para superar ineficiências.

Plano nacional mira expansão para 20% da rede

Requião ressaltou que a rede de atenção à doença renal encontra-se saturada, com a hemodiálise exigindo infraestrutura complexa e tempo de implantação que chega a três anos. Em contrapartida, a diálise peritoneal oferece agilidade, com treinamento do paciente realizado em um período de 10 a 15 dias.

“Num país como o Brasil, que é um país continental, você tem que se deslocar a um centro para poder fazer uma terapia. Na cidade de São Paulo não é tão impactante, mas no norte e nordeste, por exemplo, você acaba criando vazios de assistência que a diálise peritoneal pode cobrir”, afirmou o vice-diretor. Para reverter esse quadro, o Ministério da Saúde lançou um plano para aumentar a utilização da diálise peritoneal de 5% para 20% no médio e longo prazo.

Fonte: Cnnbrasil