Um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal aponta que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria pago ao menos R$ 6 milhões em uma espécie de “mesada” ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). O documento, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça nesta terça-feira (16), descreve uma relação apontada pelos investigadores como funcional e voltada ao benefício mútuo.
Esquema inclui R$ 468 mil em viagens de luxo
Segundo a corporação, o esquema envolvia o pagamento periódico de valores mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Além dos repasses em dinheiro, a investigação aponta o custeio de viagens internacionais de luxo para destinos como Paris, Nova Iorque e a estação de esqui de Courchevel, totalizando cerca de R$ 468 mil em despesas. O relatório também menciona a entrega de R$ 350 mil em espécie, hipótese levantada a partir de mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em 2025.
A investigação sustenta que o relacionamento servia como instrumento para que o parlamentar atuasse em defesa dos interesses do Banco Master no Senado. Entre as evidências citadas, está a chamada “emenda Master”, que propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de garantia do Fundo Garantidor de Créditos.
Defesa nega irregularidades e promete esclarecimentos
O inquérito indica que o esquema utilizava terceiros e empresas interpostas para ocultar a origem e o destino dos recursos. Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília, tentou negociar um acordo de delação premiada, mas as propostas foram rejeitadas pelas autoridades competentes.
Em nota, a defesa do senador Ciro Nogueira afirmou que não se manifestará no momento e que apresentará esclarecimentos técnicos nos autos para refutar as insinuações policiais. Anteriormente, os advogados do parlamentar já haviam repudiado qualquer ilação de ilicitude em sua atuação legislativa e criticado o uso de medidas invasivas baseadas em trocas de mensagens.
Fonte: UOL