O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reagiu nesta quarta-feira (17) à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que nunca se considerou “esquerdista”. Para o titular da pasta econômica, o mandatário adota uma postura essencialmente pragmática na condução do governo.
“Quando perguntaram para ele se ele era comunista uma vez, acho que foi até o Silvio Santos que fez a pergunta, ele falou: ‘Eu sou torneiro mecânico’. O Lula tem essas tiradas porque tem uma postura muito pragmática”, disse Haddad durante evento realizado na PUC.
Foco em resultados supera rótulos ideológicos
Segundo a avaliação de Haddad, o presidente evita se prender a definições ideológicas rígidas, priorizando a entrega de resultados concretos para a população. O ministro destacou que a prioridade da gestão é a melhoria da qualidade de vida e o equilíbrio nas relações laborais.
“Os rótulos não funcionam muito bem para ele, justamente porque o que ele busca é resultado. Ele quer melhorar a qualidade de vida das pessoas, ele quer que o salário aumente, ele quer que a negociação entre capital e trabalho leve em consideração a vulnerabilidade dos trabalhadores nessa relação, as assimetrias da sociedade moderna”, afirmou o ministro.
A origem da declaração de Lula no G7
A fala de Haddad ocorre após o presidente Lula afirmar em conversa no G7 que nunca foi esquerdista. O chefe do Executivo respondeu a questionamentos sobre sua imagem política durante a campanha de 2002.
“Mas eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação com a UGT, da Espanha“, declarou o presidente durante o encontro internacional.
Histórico de relações sindicais e anticomunismo
Lula também relembrou episódios da década de 1980, quando foi convidado para um congresso na então União Soviética. O presidente explicou que, na época, acabou sendo rotulado como “anticomunista” por não comparecer ao evento devido a impedimentos legais.
“Em 1980, eu tive um congresso na Rússia para o qual fui convidado. Eu não fui porque estava condenado pela Lei de Segurança Nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade. E aí passei a ser tratado como anticomunista”, completou o presidente.

Fonte: Cnnbrasil