O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) relatou ter discutido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, temas como o combate ao crime organizado, investimentos em terras raras e o impacto de tarifas sobre produtos brasileiros durante um encontro.
Em coletiva de imprensa após a reunião, Flávio Bolsonaro declarou ter solicitado “enfaticamente” ao governo americano a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas estrangeiras”. O senador criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao assunto, afirmando que, enquanto Lula teria pedido a Trump para não considerar as facções como terroristas, ele agiu de forma contrária.
Segundo o senador, as organizações criminosas brasileiras alcançaram uma dimensão transnacional, com conexões nos Estados Unidos e na Europa, e que o Brasil se tornou um centro para lavagem de dinheiro. Ele mencionou investigações que apontam para o uso de empresas brasileiras por grupos como Hezbollah e Hamas para lavar dinheiro.
Flávio Bolsonaro também afirmou ter dito a Trump que, caso eleito em 2026, o Brasil integraria uma aliança com os Estados Unidos e outros países das Américas para combater o crime organizado. Ele destacou a diferença entre sua proposta de governo e a de Lula, defendendo parcerias estratégicas que gerem empregos e desenvolvimento, em vez de alinhamento ideológico com regimes autoritários.
Terras raras e tarifas comerciais em pauta
O senador mencionou ainda ter conversado com Trump sobre potenciais investimentos em terras raras e minerais críticos. Ele ressaltou a posição estratégica do Brasil no setor, que poderia servir como alternativa à China no fornecimento global desses recursos. Flávio Bolsonaro declarou que, em seu governo, haveria parcerias estratégicas de longo prazo com os EUA e que não haveria necessidade de retaliações comerciais, mas sim a construção de um “acordo comercial e de investimento histórico”.
A classificação de facções como terroristas pelos EUA poderia levar a ações mais rigorosas, incluindo a possibilidade de operações militares. A legislação brasileira, por outro lado, não enquadra o PCC e o CV como terroristas, pois não identificam motivação ideológica, política ou religiosa, focando na busca por lucro. Nos EUA, a classificação segue critérios legais específicos, como ser uma organização estrangeira, envolvida em atividade terrorista e representar ameaça à segurança nacional.
Fonte: Cnnbrasil