O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), retorna ao Brasil nesta quinta-feira, 28, após uma viagem aos Estados Unidos onde se reuniu com o ex-presidente Donald Trump. Segundo informações do Senado Federal, o parlamentar não apresentou requerimento de missão oficial com ônus para a Casa, tendo apenas protocolado um ofício comunicando sua ausência do País entre os dias 24 e 28 de maio.
Encontros em Washington e articulação política
Durante sua estadia em Washington, Flávio Bolsonaro foi recebido na Casa Branca e também manteve encontros com o vice-presidente americano, J.D. Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. O senador afirmou que as conversas incluíram pedidos para que organizações criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, sejam classificadas como terroristas. O parlamentar negou que tenha havido declaração de apoio de Trump à sua pré-campanha.
Desgaste de imagem e investigações em curso
Apesar da tentativa de demonstrar força política, o retorno de Flávio ocorre em um cenário de pressão. O senador retoma suas atividades de pré-campanha enfrentando um desgaste de imagem acentuado por denúncias que o vinculam ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso e investigado por fraudes no Banco Master. Reportagens apontam o repasse de R$ 61 milhões para a produção de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Lula abre 5,1 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro
Levantamentos recentes refletem o impacto negativo das polêmicas. Pesquisa do instituto Meio/Ideia aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem de 5,1 pontos percentuais em um eventual segundo turno contra Flávio. Paralelamente, a AtlasIntel indicou que o senador possui o maior índice de imagem negativa entre os presidenciáveis.
O cenário de incerteza em torno da candidatura de Flávio tem movimentado a oposição. Enquanto lideranças da centro-direita, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, mantêm diálogos sobre uma possível União, o PSDB formalizou o convite para que Aécio Neves concorra à Presidência. Além disso, o nome do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, é ventilado como possível alternativa no campo oposicionista.
Apesar do desgaste, analistas políticos ponderam que o “piso” eleitoral do senador e o interesse do PL em manter uma candidatura própria para fortalecer palanques estaduais e legislativos tornam improvável, no momento, uma desistência da pré-candidatura.
Fonte: Estadão