Celso Amorim em evento oficial do BRICS. Celso Amorim em evento oficial do BRICS.

Amorim rejeita intervenção dos EUA após classificação de facções

Celso Amorim afirma que cooperação internacional contra facções é bem-vinda, mas rejeita intervenções externas após decisão dos EUA sobre terrorismo.

O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, afirmou nesta quinta-feira (28) que a segurança pública é um tema nacional. Segundo o diplomata, embora a cooperação internacional seja bem-vinda, ela não pode servir de pretexto para intervenções externas. A declaração ocorre após o governo dos Estados Unidos anunciar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socio-econômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável”, declarou Amorim.

O movimento de Washington não pegou o Itamaraty totalmente de surpresa, uma vez que a possibilidade já era monitorada pela diplomacia brasileira. Fontes do governo indicam que o plano atual consiste em analisar o conteúdo detalhado da medida e seus efeitos práticos, observando precedentes em outros países onde os EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Amorim critica equiparação de facções brasileiras ao terrorismo

Antes do anúncio oficial, Amorim já havia se posicionado sobre o tema em um encontro internacional. Para o assessor, o combate ao crime organizado deve ser enérgico, mas a equiparação com o terrorismo não contribui para a eficácia das ações.

“O crime organizado deve ser combatido com energia e determinação. Equiparar o crime organizado com terrorismo, no entanto, não ajuda. Entender as motivações é essencial para a efetividade da luta contra todos os tipos de crime”, afirmou Amorim. Ele acrescentou que o governo brasileiro continuará investindo na segurança e bem-estar da população, mantendo a cautela diante do cenário de unilateralismo.

O Departamento de Estado americano justificou a medida alegando que as facções comandam milhares de membros e orquestram ataques contra servidores e civis. “Juntas, comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, servidores públicos e civis. Sua influência e atos ilícitos ultrapassam as fronteiras do Brasil”, informou o órgão americano.

Designações SDGT e FTO entram em vigor em 5 de junho

A decisão americana, que entra em vigor em 5 de junho, designa os grupos como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs) e “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs). O senador Flávio Bolsonaro, que se reuniu recentemente com o secretário de Estado Marco Rubio, celebrou a medida nas redes sociais.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que a classificação abre margem para ações mais duras. Especialistas apontam que a legislação brasileira já prevê penas severas para o crime organizado, muitas vezes superiores às da lei antiterrorismo. A designação FTO permite investigações criminais, enquanto a SDGT foca em sanções financeiras, como bloqueio de bens e restrições a apoiadores.

Celso Amorim em evento oficial
Celso Amorim participa de evento da presidência brasileira do BRICS.

Fonte: G1