Quando a bola rola nos estádios, os holofotes focam nos atletas, mas existe um setor invisível responsável pela qualidade do espetáculo: a gramicultura. Agrônomos e produtores rurais trabalham para manter os gramados em condições ideais, uma atividade que se desenvolveu significativamente no país nos últimos 20 anos, segundo o agrônomo Rafael Froes, responsável por uma fazenda em São José dos Campos (SP).


Apesar de ser uma área recente, o Brasil já conta com cerca de 25 mil hectares de cultivo comercial de grama, com São Paulo liderando a produção nacional. A fazenda onde Froes atua ocupa 400 hectares e produz aproximadamente 2 milhões de metros quadrados de gramado por ano, suprindo demandas que vão desde campos esportivos até projetos de paisagismo.
Cultivo em 25 mil hectares exige solo de turfa e regeneração
Diferente de culturas como soja e milho, o cultivo da grama exige trabalho contínuo durante todo o ano. Froes explica que a propriedade utiliza solo de turfa, que é mais escuro e rico em matéria orgânica, favorecendo o desenvolvimento da cultura e reduzindo a necessidade de adubação inicial.
A produção envolve manejo rigoroso, incluindo aplicação de calcário, adubos químicos e controle de pragas com herbicidas. Após a colheita, o terreno passa por um processo de regeneração com irrigação e novos insumos, permitindo que a área volte a produzir entre um ano e meio depois.
Mudas e Big Rolls abastecem o mercado de paisagismo
A grama é vendida em diferentes formatos, cada um com uma finalidade específica. “Um deles é por meio de mudas conhecidas como sprigs, opção mais barata, mas que exige um plantio mais técnico e acompanhamento especializado. Nesse sistema, as mudas são comercializadas sem solo, reduzindo riscos de contaminação por sementes de plantas invasoras”, detalha Froes.
Além das mudas, há o formato em placas, como a grama Esmeralda, comum em paisagismo, e os chamados Big Rolls. Nestes, máquinas cortam tapetes de 75 centímetros de largura por 30 metros de comprimento, facilitando a instalação. A variedade Bermuda Tahoma 31 é frequentemente utilizada nesse formato por apresentar melhor desempenho em áreas com sombreamento.
Manutenção técnica reduz lesões de atletas profissionais
O agrônomo Mateus Ortega, que trabalha para a Federação Paulista de futebol (FPF) e cuida do estádio Jaime Cintra, destaca a importância da escolha correta. “Para campos profissionais, a recomendação é utilizar gramas de alta performance, com maior resistência ao pisoteio e crescimento acelerado para permitir uma recuperação mais rápida após as partidas”, afirma.
A recuperação de áreas danificadas exige técnica constante. “Após os jogos, os sinais de desgaste ficam evidentes. Mudanças bruscas de direção, carrinhos e disputas pela bola deixam marcas no gramado, que precisam ser corrigidas rapidamente para preservar a qualidade da superfície”, explica Ortega. O processo envolve o uso de equipamentos para nivelamento e aplicação de areia.
A qualidade do piso impacta diretamente a saúde dos atletas. “O jogador Lucas Silva conta que a qualidade do gramado interfere na velocidade da bola e pode influenciar até mesmo o desgaste físico dos atletas. Segundo ele, campos em más condições aumentam o impacto sobre joelhos e tornozelos, contribuindo para lesões ao longo da carreira”, relata o profissional.
Para quem busca entender mais sobre o mercado esportivo e sua infraestrutura, é possível conferir análises sobre o desempenho de atletas de elite em diferentes modalidades.
Fonte: G1