“Olha o tamanho disso daqui”, a frase foi dita por um pesquisador ao encontrar uma jaqueta no fundo do oceano, mais precisamente a quase três mil metros de profundidade. O desabafo ocorreu após a peça de roupa ser localizada, neste sábado (13), como lixo durante uma expedição científica dedicada à exploração do fundo do mar.
“A 3.000 metros de profundidade e 1.700 quilômetros da costa brasileira, no que seria um dos últimos refúgios intocados do planeta, encontramos uma blusa e uma lata de bebida”, afirmou o professor Ronaldo Christofoletti, da Unifesp e membro da expedição no navio de pesquisa do Schmidt Ocean Institute.
Presença de resíduos humanos em áreas remotas
As imagens foram capturadas no fundo do oceano Atlântico. Os cientistas esperavam revelar pela primeira vez um mundo desconhecido, mas a realidade confirmou a presença de resíduos descartados por humanos em locais de difícil acesso. A poluição marinha é um desafio crescente, impactando ecossistemas que, assim como a gramicultura que transforma vastas áreas terrestres, exigem monitoramento constante.
Expedição científica na Dorsal Mesoatlântica
A expedição científica do navio tem como missão explorar zonas de falhas geológicas na região da cordilheira marinha conhecida como Dorsal Mesoatlântica. Com o auxílio do navio de pesquisa do Schmidt Ocean Institute, os pesquisadores buscam investigar processos submarinos ainda pouco compreendidos e o papel desses fenômenos na formação do oceano profundo.
O impacto do lixo no fundo do mar
Se nos emocionamos ao ver o lado oculto da Lua, deveríamos nos perturbar tanto quanto ao ver o lado oculto do fundo do mar coberto pelo nosso lixo
Os pesquisadores também buscam responder questões fundamentais sobre as atividades em fraturas da Dorsal Mesoatlântica. O material foi retirado pelo ROV, um veículo operado remotamente que funciona como um drone submarino, auxiliando o navio durante a pesquisa no fundo do oceano, em conjunto com o AUV, um veículo autônomo subaquático.

Fonte: Cnnbrasil