Fósseis de baleias encontrados no fundo do Oceano Índico. Fósseis de baleias encontrados no fundo do Oceano Índico.

Cemitério de baleias revela fósseis e nova espécie no oceano

Cientistas identificam cemitério de baleias no oceano Índico com fósseis de 5 milhões de anos e nova espécie, a Pterocetus diamantinae. Confira detalhes.

Cientistas identificaram um dos maiores e mais profundos cemitérios de baleias do mundo na Zona de Fratura de Diamantina, no sudeste do oceano Índico. A expedição, que utilizou um submersível para explorar profundidades de até 7.000 metros, encontrou centenas de fósseis e até mesmo uma espécie desconhecida de cetáceo.

Cemitério de baleias no oceano Índico
Cemitério de baleias descoberto na Zona de Fratura de Diamantina

A área, que se estende por cerca de 1.200 quilômetros, funciona como uma necrópole submarina onde restos de baleias se acumulam há pelo menos 5 milhões de anos. A descoberta inclui desde esqueletos antigos até carcaças modernas, revelando um ecossistema complexo que sustenta diversas formas de vida marinha, como vermes comedores de ossos e bivalves que sobrevivem por meio da quimiossíntese.

Ecossistema profundo abriga até 2.840 organismos por metro

A maior parte dos restos mortais pertence a baleias-de-bico, animais que raramente são avistados por passarem a maior parte do tempo em grandes profundidades. Pesquisadores observaram que, mesmo em restos mortais, a vida prospera: uma única carcaça de baleia pode abrigar até 2.840 organismos em um único metro quadrado.

“Até agora, as mortes de baleias eram baseadas principalmente em carcaças de grandes cetáceos, sobretudo baleias-de-barbatana”, disse Olivier Lambert, paleontólogo de vertebrados do Instituto Real Belga de Ciências Naturais em Bruxelas, à CNN por e-mail. “Aqui, os autores mostram que carcaças de baleias-de-bico podem desempenhar um papel semelhante em algumas regiões oceânicas profundas específicas.”

Zona de Fratura de Diamantina acumula 760 restos por quilômetro

A expedição, liderada por pesquisadores do Instituto de Ciência e Engenharia de Águas Profundas da Academia Chinesa de Ciências, utilizou o submersível Fendouzhe para coletar 43 fósseis. A densidade de restos no local é impressionante, com estimativas de até 760 restos por quilômetro quadrado, superando qualquer registro anterior em sítios semelhantes.

“Embora este seja um cemitério de baleias verdadeiramente gigantesco, chegar até ele é extremamente difícil devido à grande profundidade”, disse Peng Zhou, coautor principal do estudo. “Dito isso, quando observamos este local pela primeira vez, foi uma surpresa completa para todos”, acrescentou Zhou.

A topografia em forma de V da região atua como um funil, canalizando carcaças para o fundo do mar, onde a baixa movimentação de sedimentos e a presença de minerais como o óxido de ferromanganês preservam os ossos. Assim como em descobertas inusitadas em grandes profundidades, como quando uma jaqueta é encontrada a 3 mil metros de profundidade no oceano, o local revela segredos geológicos e biológicos.

Pterocetus diamantinae documenta evolução das baleias-de-bico

Entre os achados, destaca-se o crânio parcial de uma espécie inédita, batizada de Pterocetus diamantinae. A descoberta ajuda a documentar a evolução das baleias-de-bico, confirmando que grupos altamente especializados já habitavam a região há milhões de anos.

“Foi certamente uma descoberta fortuita”, disse Giovanni Bianucci, professor associado do departamento de Ciências da Terra da Universidade de Pisa, à CNN por e-mail, “mas é provável que muitos outros fósseis de baleias-de-bico permaneçam no fundo do mar da necrópole de Diamantina.”

Fonte: Cnnbrasil