Representantes de mais de 50 países reuniram-se em Santa Marta, na Colômbia, para estabelecer diretrizes voltadas à redução da dependência de combustíveis fósseis. O encontro, focado em estratégias para o abandono de fontes como carvão, petróleo e gás, buscou criar um ambiente de cooperação entre nações interessadas em acelerar a transição para energias limpas.
Maina Vakafua Talia, ministro de Mudanças Climáticas e Meio Ambiente de Tuvalu, destacou a importância do momento durante o evento. “Multilateralismo e cooperação internacional não são definidos por um único processo, mas sim pelo reconhecimento das lacunas de governança. Mesmo nossos maiores desafios podem ser superados, e podemos alcançar novos horizontes juntos”, afirmou o ministro.
Colômbia e Alemanha debatem substituição de fontes fósseis
A transição energética apresenta complexidades distintas para países exportadores e importadores de recursos fósseis. A Colômbia enfrenta o desafio de reformular uma economia dependente da exportação de carvão, buscando alternativas de emprego e renda para evitar impactos sociais severos. A interrupção abrupta do setor também esbarra em questões jurídicas, com empresas mineradoras podendo pleitear compensações por lucros cessantes.
O modelo alemão de transição, gerido por uma comissão específica, é citado como referência para o planejamento social e econômico. O país planeja encerrar a geração de energia a carvão até 2038, equilibrando metas climáticas com a viabilidade econômica. A transformação estrutural exige planejamento de longo prazo e gestão de consequências sociais, temas centrais nas discussões da conferência.
Santa Marta busca modelo mais colaborativo que as COPs
Diferente das conferências anuais da ONU, que frequentemente contam com a presença de lobistas do setor de combustíveis fósseis, o encontro em Santa Marta foi organizado como uma coalizão de interessados. A ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson, observou que o ambiente foi mais colaborativo. “As COPs são mais formais, os negociadores têm suas linhas e não as cruzam, e é tão diferente aqui”, disse a ativista.
A França apresentou um plano detalhado de redução de combustíveis fósseis, visando diminuir sua participação no consumo final de energia para 40% até 2030 e 30% até 2035. Embora o plano tenha sido bem recebido, especialistas alertam que as medidas ainda são insuficientes diante da crise climática global, que registrou temperaturas recordes no último ano.
Subsídios mundiais aos fósseis atingem US$ 920 bilhões anuais
O financiamento da transição permanece como um dos maiores obstáculos, especialmente para nações em desenvolvimento. Stientje van Veldhoven, ministra de política Climática e Crescimento Verde da Holanda, enfatizou que o acesso a capital acessível é essencial. Atualmente, os subsídios mundiais aos combustíveis fósseis somam cerca de US$ 920 bilhões anuais.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, vinculou a dependência energética aos conflitos geopolíticos. “As guerras que estamos vendo são impulsionadas por estratégias geopolíticas desesperadas em torno de recursos fósseis”, declarou. O chefe de clima da União Europeia, Wopke Hoekstra, reforçou a urgência, mencionando que a conta de importação de energia da Europa aumentou em mais de € 22 bilhões em apenas dois meses, sem qualquer ganho adicional de energia.
Gana defende arquitetura formal para tratado de transição
Embora não tenha sido firmado um tratado definitivo em Santa Marta, a expectativa é de que o processo ganhe corpo nos próximos anos. Cedric Dzelu, diretor técnico do Ministério de Mudanças Climáticas de Gana, defendeu a criação de uma arquitetura formal. “Precisamos de um tratado de combustíveis fósseis que crie a arquitetura necessária para uma transição justa”, afirmou.
Juan Carlos Monterrey, representante especial para mudanças climáticas do Panamá, reforçou a determinação do grupo. “Economias construídas sobre combustíveis fósseis estão se desfazendo em tempo real. Combustíveis fósseis não são apenas sujos. Eles são não confiáveis. Eles são perigosos. E eles devem acabar”, concluiu. A próxima reunião do grupo está prevista para 2027, em Tuvalu.
Fonte: Dw