Navio da Vale equipado com velas cilíndricas para propulsão eólica. Navio da Vale equipado com velas cilíndricas para propulsão eólica.

Vale amplia frota para 20 navios com velas para reduzir custos

A Vale planeja expandir para 20 o número de navios com velas para reduzir o consumo de combustível e otimizar custos no transporte de minério de ferro.

A Vale planeja mais que duplicar nos próximos três anos sua frota de navios de transporte de minério de ferro com velas, somando ao menos 20 embarcações equipadas com a tecnologia. A iniciativa visa reduzir em quase 10% o consumo de combustível, mitigando a volatilidade dos preços do óleo marítimo e otimizando o frete, fator crucial para a mineradora que opera a distâncias maiores da China do que suas concorrentes australianas.

O movimento ganha tração em um momento de incertezas geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que elevaram os preços dos derivados de petróleo. As velas, que utilizam a força dos ventos em viagens transoceânicas, já foram incorporadas a oito navios a serviço da Vale desde 2021, representando cerca de 40% do total de graneleiros adaptados com essa tecnologia no mundo, segundo Rafael Fischer, gerente-geral de navegação da companhia.

“A eficiência energética faz com que a gente dependa cada vez menos do combustível, então isso faz com que a gente tenha impactos menores de qualquer variação do preço do ‘bunker’”, afirmou Fischer em entrevista. O executivo destacou que a tecnologia, baseada no Efeito Magnus, permite um diferencial de pressão que gera propulsão, funcionando de forma similar à curva de uma bola no futebol.

Frota com velas economiza 1.500 toneladas de combustível

No primeiro trimestre, a frota de oito navios com velas registrou uma redução de cerca de 4.700 toneladas de CO2 equivalente, associada a uma economia de aproximadamente 1.500 toneladas de óleo combustível pesado. Uma viagem de ida e volta à China consome cerca de 5 mil toneladas do combustível fóssil, tornando a eficiência energética uma alavanca competitiva essencial para a empresa.

O primeiro Valemax com a tecnologia, que possui capacidade de 400 mil toneladas, começou a operar em 2024 com cinco velas de 35 metros de altura. Esse navio apresentou a economia de combustível mais expressiva da frota no primeiro trimestre deste ano, atingindo cerca de 8%. A Vale coopera com armadores em seis projetos adicionais, incentivando a adoção da tecnologia no setor sem precisar bancar todos os investimentos sozinha.

“São mais de mil viagens por ano, centenas de navios diferentes, a Vale não tem a ambição de sozinha bancar todos esses projetos. Os armadores também estão engajados nisso”, explicou Fischer. “Fizemos dois projetos e, a reboque, ganhamos seis outros.”

Vale investe em navios movidos a etanol e metanol

Além da propulsão eólica, a empresa busca flexibilidade com o uso de combustíveis alternativos. Recentemente, a Vale anunciou um contrato de 25 anos com a Shandong Shipping Corporation para a construção dos dois primeiros navios transoceânicos do mundo movidos a etanol e equipados com velas. Essas embarcações também poderão ser abastecidas com metanol e possuem opção de adaptação para GNL e amônia.

O esforço integra a meta da companhia de reduzir em 15% as emissões do Escopo 3 até 2035. Desde 2020, a Vale investiu cerca de R$ 7,4 bilhões em iniciativas de descarbonização. Para o cidadão que acompanha o mercado, entender como a sustentabilidade impacta a logística é fundamental, assim como observar como o funcionamento de serviços e B3 reflete as mudanças operacionais das grandes empresas brasileiras.

Fonte: Infomoney