Fatias de jamón ibérico de alta qualidade em exposição. Fatias de jamón ibérico de alta qualidade em exposição.

Agricultura proíbe selo ibérico em produtos fora da norma

Ministério da Agricultura veta o uso do selo ibérico em produtos que descumprem normas de qualidade na nova Indicação Geográfica Protegida de Guijuelo.

O Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação interveio na disputa entre produtores de jamón ibérico ao emitir um alerta direto à Denominación de Origen Guijuelo, em Salamanca. A pasta determinou que o termo “ibérico” não poderá ser utilizado no etiquetado caso os produtos não cumpram rigorosamente a norma de qualidade vigente.

O conflito gira em torno da nova Indicação Geográfica Protegida (IGP) denominada “Embutidos Guijuelo”, atualmente em fase de alegações pela comunidade de Castilla y León até o dia 31 de maio. A proposta prevê a redução do percentual mínimo de raça ibérica exigido para que os itens sejam comercializados sob essa classificação.

O Boletim Oficial do Estado publicou em 31 de março a solicitação de registro para a nova figura de qualidade, que abrange lombo, lomito, chouriço e salchichón. A medida reabriu o debate sobre a pureza racial e a autenticidade do produto. Outras denominações de origem, como as andaluzas de Jabugo, Los Pedroches e Dehesa de Extremadura, argumentam que a mudança desrespeita as regras de etiquetagem e pode confundir o consumidor, impactando negativamente o mercado, tema que também preocupa a União Europeia na defesa de sua Indústria.

Ministério da Agricultura exige adequação técnica ao selo

Antes da publicação do edital, o Ministério da Agricultura analisou o pliego de condições da IGP e apresentou observações técnicas. “Se o produto final não se ajustar à norma, não poderá utilizar o termo ‘ibérico’ no etiquetado”, afirmaram fontes ministeriais. Além disso, o governo recomendou que as fêmeas utilizadas na produção estejam devidamente inscritas no Livro Genealógico e que a denominação de venda seja especificada com clareza.

Embora o Instituto Tecnológico Agrario de Castilla y León seja o responsável pela resolução, o papel do Ministério é atuar como intermediário junto à Comissão Europeia. “A posição do ministério é de neutralidade institucional dentro do marco competencial que lhe corresponde. Em todo caso, essa neutralidade está condicionada a que não se utilize o termo ‘ibérico’ em produtos finais que não cumpram com a norma de qualidade vigente”, reforçaram as fontes.

Redução de pureza racial gera incertezas na Espanha

A iniciativa de Guijuelo ocorre após a modificação do pliego de condições da DOP Guijuelo em setembro passado, que reduziu o mínimo de raça ibérica de 75% para 50% nos presuntos. Embora a norma permita tal flexibilidade, as denominações de origem protegidas historicamente mantiveram exigências mais rígidas para garantir a exclusividade do produto.

O governo espanhol mantém contato com a Comissão Europeia sobre as alterações. Contudo, fontes comunitárias indicam que emendas padrão são competência dos Estados-membros e entram em vigor no país de origem assim que a decisão nacional é oficializada. A situação gera preocupação em Bruxelas sobre a preservação da integridade das indicações geográficas e a proteção dos consumidores contra a queda na qualidade dos produtos comercializados.

Fonte: Elpais