As ações da Usiminas (USIM5) encerraram o pregão desta segunda-feira (27) com alta de 6,96%, cotadas a R$ 8,14. O movimento positivo reflete a repercussão dos resultados do primeiro trimestre de 2026, além da elevação de estimativas e preços-alvo por parte de instituições financeiras como o Morgan Stanley e o UBS BB.
UBS BB eleva preço-alvo para R$ 10 após guidance forte
Na última sexta-feira, a siderúrgica já havia registrado valorização de cerca de 6% após apresentar um guidance para o segundo trimestre deste ano aproximadamente 20% acima das projeções do mercado. Em resposta, o UBS BB revisou suas estimativas de EBITDA para 2026 e 2027, elevando-as entre 10% e 15%, e ajustou o preço-alvo da ação de R$ 9 para R$ 10.
O banco aponta que a margem de EBITDA do aço atingiu 10,4% no primeiro trimestre, superando a estimativa anterior de 7,4%. A projeção conservadora para 2027 foi ajustada para 14%, ante 13% anteriormente, considerando que os aumentos de preços devem ser implementados de forma gradual, com maior concentração a partir do terceiro trimestre de 2026.
Medidas antidumping alteram dinâmica do setor de aço
A avaliação do UBS BB indica que a implementação de medidas antidumping foi um divisor de águas para a indústria de aço plano no Brasil. Com a saída do aço chinês do mercado, cerca de 15% a 20% da oferta interna foi impactada, gerando um déficit entre oferta e demanda que permite reajustes de preços entre US$ 100 e US$ 200 por tonelada.
A estratégia da companhia permanece focada em valor em vez de volume, ao menos até que os estoques na cadeia sejam normalizados, o que deve ocorrer no segundo semestre de 2026. O banco reiterou a recomendação de compra para o papel, destacando que a empresa está bem posicionada para capturar os benefícios de um ambiente mais protegido.
Morgan Stanley mantém cautela com recomendação neutra
Por outro lado, o Morgan Stanley projeta um EBITDA de R$ 644 milhões para o segundo trimestre de 2026, representando uma alta de 49% frente às estimativas anteriores. Para o fechamento de 2026, a projeção é de R$ 2,28 bilhões, avançando para R$ 2,88 bilhões em 2027 e R$ 3,07 bilhões em 2028.
Apesar dos números, o banco mantém recomendação equalweight para a Usiminas, com preço-alvo ajustado de R$ 7 para R$ 7,80. O Morgan Stanley demonstra ceticismo quanto à efetividade das medidas antidumping, avaliando que importadores podem contornar as regras, o que manteria as importações elevadas e pressionaria a rentabilidade do negócio de aço.
O banco ressalta que as ações já negociam acima da média histórica de cinco anos de 3,6 vezes EV/EBITDA, considerando as estimativas para 2026. O cenário de taxas de juros e a volatilidade do mercado seguem no radar dos investidores que acompanham o setor de commodities.
Fonte: Infomoney