Gráfico de variação de juros futuros Gráfico de variação de juros futuros

Juros futuros sobem com pressão externa e expectativa de IPCA-15

Juros futuros fecham em alta pressionados pelo avanço dos Treasuries e pela expectativa de aceleração do IPCA-15. Confira o impacto na curva de juros.

Os juros futuros encerraram o pregão desta segunda-feira (27) em forte alta, com a renda fixa doméstica apresentando piora progressiva ao longo do dia. O movimento seguiu um início de sessão morno, mas ganhou tração diante de um cenário internacional adverso.

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A alta do petróleo, motivada por decepções nas negociações entre Estados Unidos e Irã, somada ao avanço das taxas dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, pressionou os vértices de médio a longo prazo da curva a termo. A expectativa pelo IPCA-15, que será divulgado amanhã, também contribuiu para a cautela dos investidores.

Ao final dos negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2027 subiu de 14,105% para 14,135%. O contrato para janeiro de 2028 avançou de 13,645% a 13,76%, enquanto o DI de janeiro de 2029 saltou de 13,48% para 13,615%. O vencimento para janeiro de 2031 registrou alta de 13,515% para 13,635%.

Pressão dos Treasuries e baixa liquidez local

O ambiente externo foi o principal direcionador da sessão. Ao fim do pregão em Nova York, a taxa da T-note de dez anos subiu de 4,307% para 4,345%, atingindo a máxima de 4,358% durante o dia. O efeito negativo sobre o mercado doméstico foi intensificado pelo baixo volume de negócios na renda fixa local.

“Qualquer movimento dos Treasuries puxa a curva a termo local”, avaliou um operador de renda fixa, que preferiu não se identificar. O avanço dos preços do petróleo, que subiram mais de 2% devido ao impasse geopolítico no Oriente Médio e ataques de Israel ao Líbano, também pesou sobre o sentimento global.

Copom e a expectativa para a Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide a nova taxa Selic nesta quarta-feira. A mediana das projeções indica que o IPCA-15 de abril deve mostrar aceleração de 0,97%, após subir 0,44% em março.

É consenso no mercado que o Copom repetirá a dose de março e cortará a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50%. O mercado de opções computa 90% de probabilidade para esse movimento. “A distribuição para a reunião de junho é simétrica em torno de um corte de 0,25 ponto. O Comitê fechará as portas para as outras duas opções? Se sim, para qual: manutenção ou aceleração? Essa é a questão a ser respondida”, comentou um participante do mercado.

Visão do Deutsche Bank sobre o mercado brasileiro

Apesar do estresse recente, o Deutsche Bank mantém uma visão otimista sobre as taxas brasileiras. “Embora as incertezas externas possam continuar a criar desafios, acreditamos que o pior, do ponto de vista geopolítico, já ficou para trás. De qualquer forma, o Brasil deve continuar a ser menos afetado pelo choque imediato; por isso, nossa visão estrutural mudou”, afirmaram os estrategistas para América Latina do banco.

O banco avalia que o mercado está conservador demais ao precificar um ciclo de cortes de apenas 1,5 ponto percentual, levando a Selic a 13,50%. Segundo os estrategistas, existem prêmios de risco a serem capturados na curva, especialmente nos vencimentos de médio prazo, que tendem a ser mais impactados pela trajetória da política monetária.

Gráfico de variação de juros futuros
Juros futuros operaram em alta acompanhando o cenário externo e a cautela com a inflação.

Fonte: Globo