Adotar hábitos de vida saudáveis é o principal caminho para proteger os rins, segundo especialistas em nefrologia. O programa Sinais Vitais, apresentado pelo Dr. Kalil, trouxe um panorama das doenças renais no Brasil com os nefrologistas Lúcio Requião, vice-diretor clínico do Hospital do Rim e professor da Unifesp, e Caio Bastos, especialista do Hospital do Rim.
Para Bastos, o ponto de partida é a construção de um conjunto sólido de hábitos saudáveis. “Evitar ter um diabetes descompensado, uma pressão descontrolada, sem dúvida faz o rim ser mais saudável”, afirmou o médico.
Ele também ressaltou a importância da hidratação, especialmente no contexto brasileiro. “No brasil, que é um país tropical, em pacientes de risco, especialmente em locais com maior exposição a agrotóxicos e temperaturas elevadas, a hidratação é fundamental para o povo brasileiro”, disse Bastos.
Hábitos de saúde cardíaca previnem complicações nos rins
Requião reforçou que as orientações preventivas divulgadas para doenças cardíacas valem igualmente para a saúde renal. “Todos os hábitos saudáveis que foram divulgados extensivamente para o controle da doença cardíaca, da doença coronariana, por exemplo, eles valem para a doença renal”, afirmou.
Entre as medidas elencadas pelo especialista estão evitar o sobrepeso e a obesidade, reduzir o consumo de ultraprocessados, diminuir a ingestão de sal e realizar o controle do diabetes de forma rigorosa.
Creatinina e exame de urina detectam falência renal cedo
Apesar de ser uma condição silenciosa, a doença renal pode ser identificada de forma simples e acessível. Requião explicou que dois exames são suficientes para detectar a condição em seus estágios iniciais: o exame de creatinina no sangue e o exame de urina.
“O exame de creatinina está disponível em todas as 44 mil unidades básicas de saúde do país e custa R$ 0,07 no Sistema Único de Saúde. Basta fazer um exame de creatinina por ano para entender como está a saúde renal”, detalhou o nefrologista.
O exame de urina, que verifica a perda de proteína, também está disponível em todas as unidades básicas. Requião alertou que a identificação precoce é essencial para evitar que o paciente evolua para a falência renal.
“A identificação precoce é a janela de oportunidade que temos para deter um processo que é progressivo”, pontuou. Bastos complementou que, na maioria dos casos, os pacientes chegam ao atendimento médico já em estágio avançado de falência, justamente por se tratar de uma doença sem sintomas evidentes.
Requião enfatizou que os cuidados com a saúde renal não devem ser postergados para a vida adulta. Segundo ele, quando o diagnóstico de falência renal é estabelecido, o processo que levou a esse quadro geralmente teve início 10 ou 20 anos antes. “Essa mensagem vale para qualquer idade”, concluiu.
Fonte: Cnnbrasil