Jogadores da Seleção Brasileira em campo durante treinamento. Jogadores da Seleção Brasileira em campo durante treinamento.

Brasil busca o hexa na Copa do Mundo com foco em Vinícius Júnior

O Brasil inicia a busca pelo hexacampeonato mundial com expectativas baixas e aposta na liderança de Vinícius Júnior para superar traumas históricos.

A busca pela sexta estrela começa novamente para o Brasil. Esta nação histórica e apaixonada pelo Futebol já levantou a Copa do Mundo cinco vezes — mais do que qualquer outro país —, mas seu último triunfo, em 2002, começa a parecer uma memória distante, após mais de duas décadas de frustrações.

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A França eliminou a Seleção nas quartas de final em 2006, a Holanda fez o mesmo em 2010, a Alemanha impôs uma das derrotas mais infames da história do esporte em 2014 — uma goleada de 7 a 1 que deixou torcedores chorando nas arquibancadas — e novas eliminações nas quartas de final se seguiram em 2018 e 2022. Uma geração inteira de brasileiros nunca viu seu país vencer uma Copa do Mundo.

Agora, após 24 anos no deserto, uma nova geração busca escrever seu próprio capítulo, no qual Vinícius Júnior deve ser o autor principal. Mas, apesar do clamor evidente dos brasileiros por mais uma supremacia mundial, as expectativas parecem estar no nível mais baixo de todos os tempos. Uma pesquisa realizada em abril pelo instituto Datafolha constatou que apenas 29% da população acredita que a seleção pode vencer a Copa do Mundo, o menor índice desde que o instituto começou a realizar sondagens, em 1994.

Crise nos bastidores e campanha irregular

Foi há pouco mais de um ano, em maio de 2025, que um tribunal do Rio de Janeiro ordenou a destituição do então presidente da Confederação Brasileira de futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, acusado de falsificar documentos para vencer a reeleição no início daquele ano. A decisão veio apenas três dias após Carlo Ancelotti ser anunciado como técnico da equipe, que vivia sua pior campanha nas Eliminatórias para a Copa do Mundo da história.

O Brasil terminou em uma modesta quinta colocação na tabela da Conmebol, com apenas 28 pontos em 18 jogos, dez pontos atrás da arquirrival Argentina. O capitão Marquinhos classificou o resultado como “vergonhoso” e disse que “não pode acontecer de novo”, chegando a fazer um pedido público de desculpas. “Me desculpem pelos nossos torcedores”, afirmou o jogador.

Os fantasmas de Belo Horizonte

Nenhum momento simboliza mais o declínio do futebol brasileiro do que os 90 minutos de caos no Mineirão, em Belo Horizonte, quando a seleção anfitriã enfrentou a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014. “O 7 a 1 entrou para o vocabulário”, disse sem rodeios o especialista em futebol sul-americano Tim Vickery. “Qualquer derrota humilhante e avassaladora, em qualquer área da vida, passa a ser chamada de 7 a 1. É uma mancha no tapete que não vai sair tão cedo. A única forma de superar isso é vencendo a Copa do Mundo”.

O desafio europeu e a herança de 1970

Para que a Seleção alcance esse objetivo, provavelmente precisará vencer uma seleção europeia em um mata-mata de Copa do Mundo, algo que não ocorre desde 2002. A história da Copa do Mundo não pode ser contada sem a Seleção Brasileira de 1970, que consolidou o status do Brasil como referência máxima do futebol mundial. “Em 1958, o Brasil era realmente a terceira força da América do Sul, atrás da Argentina e do Uruguai”, afirmou Vickery. “Depois, ao longo de 12 anos, eles se tornaram o país do futebol, e a camisa amarela passou a ser associada a tudo que havia de bom e puro no Jogo Bonito”.

Vinícius Júnior e o retorno de Neymar

Um jogador, porém, ainda representa esse estilo: Vinícius Júnior. “É a Copa dele. É a Copa para ele brilhar e se destacar”, disse Cafu, capitão da seleção campeã mundial em 2002. O atacante de 25 anos demonstra tranquilidade diante da responsabilidade. “Não é nada fora do comum. Jogo pela Seleção desde os 19 anos. Antes, eu era apenas uma jovem promessa, mas agora estou na linha de frente, liderando o time e tentando levar o Brasil de volta ao topo do futebol mundial. É uma responsabilidade enorme, e que valorizo de verdade”, disse Vinícius à Fifa.

Há ainda o caso de Neymar, que recebeu uma última oportunidade de cumprir seu destino. “Neymar é um cara que não precisamos avaliar para levar a uma Copa do Mundo. Talvez ele não jogue todos os jogos, mas é um jogador muito importante que já mostrou seu valor”, disse Ronaldo. A disputa política sobre a camisa da Seleção Brasileira continua presente no imaginário popular, enquanto o país aguarda o desfecho desta nova jornada.

Fonte: Cnnbrasil