O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou neste domingo (14) para a França, onde participa da reunião de líderes do G7, marcada para terça-feira (16), em Évian-les-Bains. O governo brasileiro trabalha com a possibilidade de um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula, embora não haja uma reunião previamente agendada entre os dois líderes.
A estratégia do Palácio do Planalto visa garantir a presença do presidente brasileiro já na segunda-feira (15), primeiro dia do evento. A cautela se justifica pela possibilidade de Trump participar apenas da abertura da reunião, repetindo o comportamento observado no encontro do G7 realizado no Canadá no ano passado. Até o momento, não houve solicitação formal de reunião bilateral por parte da Casa Branca, nem orientação de Lula para que auxiliares pedissem o encontro. A ausência de pedidos formais, contudo, não é considerada um impedimento para uma conversa.
Tarifas comerciais dividem a equipe econômica brasileira
Dentro do governo, a avaliação sobre as medidas comerciais americanas é distinta. A proposta de uma tarifa adicional de 25%, justificada por Washington com base em supostas práticas comerciais desleais, ainda é vista como passível de reversão por meio de negociação. Por outro lado, a sobretaxa de 12,5%, vinculada à alegação de falta de ações suficientes contra o trabalho forçado, é interpretada pela equipe brasileira como uma decisão praticamente consolidada.
O Brasil, embora não integre o G7, tem sido convidado para as reuniões do grupo desde 2023. O bloco reúne algumas das maiores economias do mundo: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Durante a cúpula, Lula deve adotar um tom crítico ao protecionismo e ao unilateralismo, defendendo que organismos como a OMC tenham mais força para atuar diante de medidas adotadas sem negociações prévias.
Agenda oficial inclui Macron, Takaichi e debate sobre tecnologia
Além da expectativa de contato com Trump, a agenda de Lula inclui encontros com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, ambos previstos para segunda-feira (15). Na terça-feira (16), o presidente brasileiro deve se reunir com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi.
Um dos pontos centrais da participação brasileira será um almoço dedicado ao debate sobre inteligência artificial. Lula deve argumentar que o Brasil não persegue plataformas digitais e está aberto para receber operações de empresas de tecnologia, desde que estas atuem conforme as leis brasileiras. O tema é sensível, visto que o Escritório do Representante Comercial americano citou, em recomendações sobre o tarifaço contra o Brasil, que o Poder Judiciário brasileiro toma medidas contra empresas americanas de tecnologia.

Fonte: G1