Um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria custeado despesas de luxo para o senador Ciro Nogueira e para o presidente da Câmara, Hugo Motta. As investigações indicam que o empresário financiou viagens internacionais, hospedagens em hotéis de alto padrão, jatos particulares e jantares exclusivos para os políticos.
Diárias de luxo em Lisboa e Nova York
Entre os episódios mapeados pelos investigadores, destaca-se uma viagem a Lisboa, realizada em junho de 2024, onde Vorcaro teria pago diárias no Four Seasons Hotel Ritz Lisbon para os parlamentares. O hotel de cinco estrelas é conhecido por suas suítes sofisticadas. Documentos encontrados nos e-mails do ex-banqueiro, cruzados com mensagens trocadas com auxiliares, reforçam a suspeita de que ele arcou com todos os custos da estadia no local.
O relatório da PF também detalha roteiros que incluem Nova York, Paris e a estação de esqui de Courchevel, na França. Em maio de 2024, durante um fórum de investimentos em Nova York, Vorcaro teria solicitado a reserva de suítes no Park Hyatt, com custos que somaram cerca de **R$ 245 mil**. Em Paris, o empresário teria organizado um jantar de alto padrão para Ciro Nogueira, enquanto em Courchevel foram identificados preparativos para a estadia do senador e sua esposa, incluindo o aluguel de equipamentos de esqui.
Relação financeira sob análise da PF
A Polícia Federal estima que os benefícios econômicos diretos concedidos a Ciro Nogueira superam **R$ 500 mil**. A corporação considera este valor conservador, pois o cálculo não contabiliza integralmente os gastos com voos privados realizados no período. Para os investigadores, o volume de despesas pagas pelo empresário revela uma relação que transcende a amizade, sendo descrita como um vínculo funcional estruturado em interesses mútuos.
Em áudios interceptados durante a apuração, Vorcaro demonstra preocupação com a segurança e a privacidade durante os encontros realizados em Lisboa. O ex-banqueiro chegou a solicitar que áreas de restaurantes fossem privatizadas para evitar qualquer exposição pública dos parlamentares.
Manifestações dos parlamentares
Questionado sobre as investigações, o presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou estar tranquilo e afirmou defender uma apuração isenta e imparcial dos fatos. O senador Ciro Nogueira, também citado no relatório, não se manifestou sobre as informações contidas no documento até o momento da publicação desta reportagem.
Fonte: G1