A Justiça italiana negou o pedido de extradição e autorizou a soltura da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). O julgamento ocorreu na sexta-feira (22), após solicitação da defesa, permitindo que a ex-parlamentar aguarde em liberdade a análise de um novo pedido de extradição.
A ex-deputada acumula duas condenações pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A primeira, de 10 anos de prisão, refere-se à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça. A segunda, de 5 anos e 3 meses de detenção, trata de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.
Embora o Supremo tenha enviado um único pedido de extradição, a Justiça italiana optou por separar os casos. A Corte de Apelação em Roma havia emitido decisões favoráveis à extradição em instâncias inferiores, mas a Corte Suprema de Cassação, última instância do país, julgou o caso do CNJ nesta sexta-feira. Ainda não há data definida para a análise do segundo processo.
Corte de Cassação analisa processos de Zambelli separadamente
A decisão recente foca na condenação pela invasão ao sistema do CNJ e pela emissão de um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. Este processo já havia sido julgado em março, quando a Justiça italiana determinou a extradição, decisão que foi alvo de recurso pela defesa na segunda instância.
A Corte de Apelação chegou a julgar os dois processos na mesma audiência, mas emitiu decisões distintas. Por esse motivo, os recursos tramitam agora de forma separada na Corte de Cassação. O advogado Fabio Pagnozzi afirmou que acredita em um desfecho idêntico para o outro processo, visto que o caso do porte de arma também foi mencionado durante a sessão desta sexta-feira.
Defesa celebra soltura e alega perseguição política
Nas redes sociais, o advogado Pieremilio Sammarco publicou um vídeo ao lado da ex-deputada. “Hoje, 22 de maio de 2026, dia de Santa Rita, a gente conseguiu. O Pieremilio conseguiu fazer o impossível, que era lutar contra um sistema gigantesco”, declarou Zambelli, que afirmou estar emocionada. “E agora a gente tá livre, graças a Deus, pra continuar uma vida de missão. Vocês não sabem ainda qual é essa missão, mas logo logo vocês vão saber”, completou.
Segundo o advogado Fabio Pagnozzi, “não existe mais nada que o Brasil possa fazer. Eles não têm mais nenhum outro tipo de recurso”. A defesa sustenta que a ex-parlamentar é vítima de perseguição política, comparando sua situação à de outros opositores ao governo brasileiro que se encontram em outros países.
Histórico de prisões e condenações no Brasil
Carla Zambelli foi presa em 29 de julho do ano passado, após ter seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol em 5 de junho. A ex-deputada, que possui cidadania italiana, viajou ao país europeu após a emissão da sentença do STF e da ordem de prisão. Antes de ser detida, ela afirmou em vídeo que não retornaria ao Brasil para cumprir pena, alegando que “aqui ainda temos Justiça e democracia. Não temos ditador no poder. Não temos a autoridade ditatorial de Alexandre de Moraes e seus comparsas da Suprema Corte”.
Além da condenação pelo porte de arma, onde foi acusada de perseguir um homem em um bairro nobre de São Paulo, Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão junto ao hacker Walter Delgatti por invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Embora o STF tenha determinado a cassação de seu mandato, ela renunciou ao cargo em 14 de dezembro do ano passado, após a Primeira Turma da Corte anular uma votação da Câmara que a mantinha na posição.

Fonte: Cnnbrasil