Setores conservadores do Irã demonstram resistência contra pontos de um possível acordo com os Estados Unidos. O ex-presidente norte-americano Donald Trump chegou a sugerir a assinatura de um memorando, embora Teerã não confirme a finalização do texto.
Mahmoud Nabavian aponta risco de submissão aos Estados Unidos
O representante da linha-dura iraniana, Mahmoud Nabavian, manifestou forte oposição aos termos ventilados. Segundo ele, assinar o documento significaria que “nos tornaremos efetivamente uma colônia dos Estados Unidos“. O político sustenta que o entendimento abriria o estratégico Estreito de Ormuz até mesmo para operações de Israel.
Nabavian detalhou suas preocupações quanto à autonomia energética iraniana. “Se quisermos realizar até mesmo a menor quantidade de enriquecimento de urânio, primeiro teríamos de obter autorização dos Estados Unidos — inclusive para fins como produzir medicamentos ou eletricidade”, afirmou. Ele ressaltou ainda a ausência de garantias claras sobre a liberação de ativos congelados ou o alívio das sanções econômicas.
O parlamentar reforçou que a postura iraniana frente às negociações é um fator determinante para a segurança nacional. “Quanto mais sinais de fraqueza enviarmos, mais a guerra se aproximará de nós”, pontuou Nabavian em entrevista à televisão estatal.
Divisões políticas e críticas a Abbas Araghchi
O debate sobre o acordo tem gerado tensões internas no Irã. O jornal Javan, veículo próximo à Guarda Revolucionária Islâmica, acusou oradores em manifestações de ignorarem diretrizes do líder supremo, Mojtaba Khamenei, e de tentarem “semear cisma e divisão entre a população”.
Em protestos realizados no último sábado em Teerã, manifestantes pediram a renúncia de Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores, e de Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano. Durante os atos, o público entoou palavras de ordem como “Ghalibaf, Araghchi — e o sangue do meu líder?”, referindo-se ao assassinato do pai de Khamenei, ocorrido no início do conflito em fevereiro.
Em resposta às pressões, Ali Rabiei, aliado do presidente Masoud Pezeshkian, rebateu as críticas neste domingo. O representante alertou o alto escalão político e a sociedade sobre o perigo de se promover a criação de “narrativas artificiais” em um momento de negociação delicado para a economia iraniana.
Fonte: Cnnbrasil