O Governo da França solicitou que seus cidadãos deixem o Mali o mais rápido possível. A recomendação ocorre em meio a uma escalada de ataques de forças rebeldes lideradas por tuaregues, que afirmam que a junta militar no poder cairá em breve e exigem a retirada imediata de tropas russas de todo o território maliano.

O Ministério das Relações Exteriores da França classificou a situação de segurança na antiga colônia francesa como volátil. O cenário foi agravado por um ataque coordenado de separatistas dominados por tuaregues, que atuam em aliança com o grupo jihadista ligado à al-Qaeda, conhecido como JNIM.
Considerados os maiores ataques no Mali em quase 15 anos, a ofensiva da aliança rebelde, a Frente de Libertação de Azawad (FLA), resultou na captura da estratégica cidade desértica de Kidal. O conflito também vitimou o ministro da Defesa, Sadio Camara, figura central na guinada do governo militar em direção à Rússia nos últimos anos.
Africa Corps admite perdas em confronto no norte do Mali
Tropas russas do grupo Africa Corps, responsáveis pela segurança da junta militar, admitiram ter sofrido perdas, embora não tenham fornecido detalhes adicionais sobre a extensão dos danos. O objetivo declarado da FLA é a retirada permanente de Moscou da região de Azawad e além.
“Nosso objetivo é que a Rússia se retire permanentemente de Azawad e além”, afirmou o porta-voz da FLA, Mohamed Elmaouloud Ramadane, referindo-se à porção norte do Mali onde os rebeldes buscam declarar um Estado independente.
Ramadane ressaltou que o grupo não possui problemas específicos com a Rússia ou qualquer outra nação, mas sim com o regime que governa a capital, Bamako. Contudo, ele pontuou que as tropas russas são vistas negativamente pelo apoio a agentes que cometeram crimes e massacres.
Em Moscou, o Ministério da Defesa confirmou que combatentes do Africa Corps foram forçados a se retirar de Kidal. Segundo Ramadane, os russos foram escoltados para fora da cidade após ficarem sem opções estratégicas.
“Os russos se viram em perigo; não havia saída”, disse o porta-voz. “Quando perceberam que não podiam resistir às nossas forças e ao nosso poder de fogo, solicitaram esta retirada.”
Rebeldes afirmam que junta militar maliana cairá
Ramadane, que tinha agenda marcada com autoridades de segurança e defesa francesas em Paris, afirmou que as tropas da FLA venceram todos os confrontos diretos contra os russos. Para ele, os mercenários não são páreo para os tuaregues, que defendem seu território natal.
“Mesmo sendo uma força poderosa, eles não serão capazes de enfrentar os azawadianos, os mestres do terreno”, declarou. Enquanto o líder da junta militar prometeu neutralizar os responsáveis pelos ataques, a FLA planeja avançar sobre as cidades de Gao e Timbuktu, situadas ao longo do Rio Níger.
Para o porta-voz, a estabilidade na região do Sahel depende da mudança de regime em Bamako. “Para alcançar a paz, para encontrar estabilidade em Azawad, no Mali e além no Sahel, a primeira coisa é se livrar desta junta”, concluiu. “O regime cairá, mais cedo ou mais tarde.”
Fonte: Dw