Vídeos de agressões físicas entre estudantes circulam com frequência crescente em grupos de Telegram e redes sociais na Ucrânia. Para Nadiya Leshik, autoridade educacional, o fenômeno reflete um problema subestimado que ganha força nas instituições de ensino do país.

“Até o início da guerra, estávamos todos preocupados com outras coisas”, afirmou Leshik. “Mas, desde então, observamos um aumento constante no número de casos de violência.”
A causa central, segundo especialistas, está ligada às consequências diretas do conflito armado. “Quando os jovens ouvem uma explosão, isso os afeta psicologicamente”, explicou a autoridade, destacando que transtornos de ansiedade e depressão cresceram drasticamente entre os adolescentes.
Estudo aponta que 75% dos estudantes sofrem com estresse
Uma pesquisa realizada pelo instituto Mindset, sediado em Kiev, concluiu que três quartos de todos os estudantes ucranianos apresentam sintomas de estresse. Os autores do estudo enfatizam que cada adolescente reage de forma distinta: enquanto muitos se isolam, outros desenvolvem comportamentos agressivos.
“Alguns deles vivenciaram traumas e agora querem agir como ‘machos alfa’ às custas dos outros”, disse David, estudante de 14 anos da High School 45, em Kiev. Jana, colega de 15 anos que sofreu bullying após se mudar de sua vila, relatou o impacto na rotina escolar: “Em algum momento, parei de frequentar as aulas completamente”.
Cyberbullying e a influência de agentes externos
As autoridades policiais têm visitado escolas para orientar alunos sobre segurança e combate ao assédio. A policial Yana Vitalievna ressalta a mudança no perfil das agressões: “Hoje em dia, trata-se principalmente de cyberbullying. A violência psicológica ocorre no ambiente digital”.
O Governo ucraniano alerta que autoridades russas exploram essa vulnerabilidade. Segundo Leshik, campanhas de propaganda em redes sociais utilizam métodos para incitar a agressividade entre jovens. Há relatos de que agentes de inteligência atuam em grupos de mensagens para manipular adolescentes e fomentar conflitos internos.
Leshik reforça que as escolas não conseguem enfrentar o problema sozinhas e apela para que famílias fiquem atentas a mudanças de comportamento. “Se um adolescente agride outra pessoa em um grupo e outros assistem ou filmam o incidente, fica muito claro quem é o agressor e quem é a vítima”, concluiu.
Fonte: Dw