O ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou nesta segunda-feira (1º) a preocupação do governo brasileiro com a possibilidade de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre bens nacionais. Segundo o ministro, o receio decorre de investigações baseadas na Seção 301 da Lei de comércio americana, que têm sido conduzidas de forma unilateral.
Defesa do Pix e relações comerciais
Durigan rebateu críticas sobre o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o PIX, que tem sido alvo de questionamentos por parte de autoridades americanas sob a alegação de possível concorrência desleal. O ministro afirmou que o sistema não foi desenhado para prejudicar empresas estrangeiras e destacou que, na prática, o Pix tem facilitado transações para companhias norte-americanas que operam no Brasil.
O governo brasileiro tem mantido esforços diplomáticos para fornecer informações técnicas aos EUA, buscando esclarecer pontos sobre o desmatamento e o funcionamento do sistema de pagamentos, visando proteger empresários brasileiros de prejuízos motivados por questões políticas.
Riscos de classificação do PCC e CV como terroristas
O cenário de incerteza foi agravado pela recente classificação, por parte do governo americano, das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durigan criticou a ausência de comunicação prévia sobre a medida e alertou para três riscos principais: o aumento de custos de compliance para bancos e fintechs, a possível restrição de acesso ao Pix por instituições financeiras e o impacto negativo no risco Brasil, o que poderia afetar investimentos estrangeiros.
O ministro informou que pretende dialogar com agências de classificação de risco para evitar uma piora na nota de crédito do país e sinalizou que, embora mantenha os canais diplomáticos abertos, não buscará uma interlocução imediata com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para evitar uma postura de submissão.
Queda nas commodities na Bolsa de Chicago
Enquanto as tensões diplomáticas e comerciais ocupam a agenda política, o mercado de commodities observou um dia de recuo na Bolsa de Chicago. Os preços futuros da soja, do milho e do trigo encerraram a sessão em queda nesta segunda-feira. O movimento foi pressionado por condições climáticas favoráveis nas regiões produtoras dos Estados Unidos, que favorecem o desenvolvimento das lavouras, além da ausência de novos anúncios sobre compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos.
Fonte: Estadão