O comunicado da decisão de corte da selic nesta quarta-feira (29) apresentou um tom mais “dovish”, ou seja, de postura mais branda, segundo Iana Ferrão, economista do BTG Pactual. A avaliação foi feita durante o Giro Especial do Copom.
Como era esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária reduziu a taxa básica de juros de 14,75% para 14,50% ao ano.
“Eles reconhecem um cenário pior para a inflação, com a projeção de inflação no modelo do BC maior do que as expectativas de mercado, e mesmo assim deixam uma sinalização clara de seguir com o ciclo”, comentou Ferrão.
A economista considera que o comunicado respalda um novo corte de 0,25 ponto percentual na próxima decisão, agendada para 17 de junho.
O BTG Pactual mantém a expectativa de selic a 13% em dezembro deste ano. Contudo, a economista destaca um risco assimétrico baixista para a projeção. “Vemos um risco de um ciclo menor do que os 200 pontos-base projetados diante de um cenário de mais incerteza”, disse a economista. “Não alteramos o cenário, mas reconhecemos a piora do cenário doméstico para dinâmica da inflação à frente”, acrescentou.
Possibilidade de aceleração nos cortes da Selic
Durante o Giro Especial, a economista do BTG Pactual destacou que, caso ocorra uma mudança no cenário atual com o encerramento do conflito no Oriente Médio, o Banco Central “pode até acelerar o ritmo de cortes” na selic.
“A expectativa é de que, diante de um cenário próximo ao atual, o BC continue com os cortes de 25 pontos-base nas próximas reuniões”, afirmou.
“Há a possibilidade de uma redução de 50 pontos-base na última decisão do ano, caso tenhamos uma apreciação mais significativa do câmbio e um distanciamento maior dos efeitos da guerra”, completou. A economista também não descarta uma interrupção do ciclo de afrouxamento monetário em um cenário de prolongamento do conflito no Oriente Médio. “Se a guerra se estender por um período maior e os preços do petróleo seguirem no nível de US$ 100 o barril, ou até uma escalada do conflito, o BC poderia interromper o ciclo”, disse.
Dissidências marcam decisão do Federal Reserve
Mais cedo, o Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela terceira vez consecutiva, conforme o esperado pelo mercado. A decisão não foi unânime, com Stephen Miran votando em um corte de 0,25 ponto percentual.
O que chamou a atenção do mercado foi a dissidência de outros três membros: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan apoiaram a manutenção dos juros, mas sem sinalização de flexibilização monetária. Essa foi a maior dissidência desde 1992.
No comunicado, o Fomc afirmou que continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas e acrescentou que “estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos”.
Fonte: Moneytimes