O governo dos Estados Unidos concluiu uma investigação comercial que classifica práticas brasileiras como irrazoáveis e prejudiciais aos interesses americanos. Como consequência, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, estabelecendo uma lista de exceções para itens considerados estratégicos.
Seção 301 aponta falhas no Pix e combate à corrupção
O inquérito fundamentou-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, examinando seis eixos distintos. O relatório destaca atritos relacionados ao sistema de pagamentos Pix, sob alegação de favorecimento pelo Banco Central, além de críticas ao desmatamento ilegal, à regulação de redes sociais, à proteção de propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e a lacunas no combate à corrupção.
Amcham defende diplomacia contra impacto no investimento
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) expressou preocupação com os efeitos da medida. Segundo a entidade, a taxação eleva custos, reduz a competitividade exportadora e impõe obstáculos ao fluxo de investimentos entre os dois países. “O presidente da Amcham, Abrão Neto, defendeu a intensificação de esforços diplomáticos nas próximas semanas para buscar uma solução negociada”, segundo informações divulgadas.
Especialistas apontam que, apesar de produtos como café, carne e aeronaves estarem na lista de exceções, a insegurança jurídica pode levar empresas a adiar novos aportes financeiros. A imprensa internacional avalia que o movimento possui forte componente político, acentuado pelo momento de tensões diplomáticas e a proximidade do pleito eleitoral brasileiro.
Consulta pública precede decisão final em 15 de julho
A aplicação das tarifas ainda não é definitiva. O cronograma do governo americano estabelece um rito de consultas públicas e audiências antes da deliberação final, agendada para 15 de julho de 2026. O governo brasileiro monitora a pressão comercial, mantendo a expectativa de que o diálogo possa reverter ou mitigar os impactos das sanções propostas.
Fonte: G1