Gráfico ilustrando a relação entre ganho de peso na juventude e riscos à saúde. Gráfico ilustrando a relação entre ganho de peso na juventude e riscos à saúde.

Ganho de peso na juventude eleva risco de morte prematura

Estudo aponta que o ganho de peso na juventude eleva em 70% o risco de morte prematura na velhice, destacando a importância de políticas públicas de saúde.

O ganho de peso durante a juventude está diretamente associado a um risco maior de morte prematura na velhice, segundo um novo estudo publicado na revista eClinicalMedicine. A pesquisa, que analisou dados de mais de 600 mil pessoas, destaca que o acúmulo de peso ao longo da vida adulta impacta significativamente a saúde a longo prazo.

“A descoberta mais consistente é que o ganho de peso em idade jovem está associado a um risco maior de morte prematura na velhice, em comparação com pessoas que ganham menos peso”, afirma Tanja Stocks, professora associada de Epidemiologia da Universidade de Lund.

Para compor a análise, os participantes tiveram o peso avaliado em pelo menos três ocasiões distintas, como no alistamento militar ou no início da gravidez. Durante o período de acompanhamento, foram registradas 86.673 mortes entre homens e 29.076 entre mulheres, com uma média de ganho de peso de 0,4 kg por ano.

Indivíduos com obesidade precoce apresentam risco 70% maior

Os resultados indicam que indivíduos que desenvolveram obesidade entre os 17 e os 29 anos apresentaram um risco aproximadamente **70% maior de morte prematura** em comparação com aqueles que não atingiram essa condição antes dos 60 anos. O início da obesidade foi definido pelo Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30.

“Uma possível explicação para o maior risco de pessoas com obesidade precoce é o período mais longo de exposição aos efeitos biológicos do excesso de peso”, explica Huyen Le, doutoranda da Universidade de Lund e primeira autora do estudo.

A obesidade está associada a diversas complicações, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, esteatose hepática e diversos tipos de câncer, incluindo cólon, fígado, rim e útero.

Padrão de risco de câncer em mulheres exige análise

O estudo observou um padrão distinto em relação ao câncer em mulheres. “O risco foi praticamente o mesmo, independentemente de quando o ganho de peso ocorreu. Se a exposição prolongada à obesidade fosse o fator de risco subjacente, o ganho de peso precoce deveria implicar um risco maior”, aponta Huyen Le.

A pesquisadora sugere que outros mecanismos biológicos, possivelmente relacionados às alterações hormonais da menopausa, podem influenciar o risco. “Pode ser que as alterações hormonais afetem o peso e a idade e a duração em que essas alterações ocorrem – e que o peso simplesmente reflita o que está acontecendo no corpo”, completa.

Metodologia robusta indica necessidade de políticas públicas

Um diferencial da pesquisa é a utilização de medições objetivas de peso realizadas por profissionais de saúde, em vez de relatos dos próprios participantes. “A predominância de pesos medidos objetivamente em nosso estudo contribui para resultados mais confiáveis e robustos”, reforça Tanja Stocks.

Diante do cenário de uma “sociedade obesogênica”, os autores defendem a necessidade de intervenções estruturais. “Cabe aos formuladores de políticas públicas implementar medidas que sabemos serem eficazes no combate à obesidade. Este estudo fornece mais evidências de que tais medidas provavelmente terão um impacto positivo na saúde das pessoas”, conclui o grupo de pesquisa.

Fonte: Infomoney