A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal cumpre 18 mandados em desdobramentos que atingem figuras de peso do mercado financeiro.
Entre os investigados estão o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, proprietário do Banco Pleno. A instituição teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano, encerrando um longo período de instabilidade operacional.
O banco pertencia ao grupo Banco Master e havia sido vendido, no segundo semestre do ano passado, para Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. A trajetória da entidade foi marcada por frequentes trocas de controle acionário e tentativas constantes de reposicionamento estratégico.
Originalmente, a instituição iniciou atividades como Banco Indusval & Partners (BI&P), fundado em 1967 com foco em crédito corporativo e agronegocio. Diante de resultados pressionados ao longo dos anos, o banco passou por reorganizações societárias sucessivas.
Em 2019, sob o comando de Roberto de Rezende Barbosa, a marca adotou o nome Banco Voiter, focando em soluções digitais. A estratégia de enxugamento da estrutura, no entanto, mostrou-se insuficiente para estabilizar o negócio, forçando os controladores a buscarem novos compradores.
Negociações frustradas e a transição para o Banco Master
Em 2023, uma tentativa de venda para a Capital Consig, que envolvia um aporte de R$ 100 milhões, não obteve sucesso. O cenário facilitou as conversas com o Banco Master, que anunciou a aquisição do então Voiter no início de 2024, sem a divulgação dos valores financeiros da transação.
O contrato previa a mudança de controle e a incorporação de áreas de atacado e corretora ao conglomerado do Master. Em julho de 2025, o Banco Central autorizou a transferência do controle para Augusto Ferreira Lima, viabilizando o surgimento do Banco Pleno.
Após a conclusão da venda, a família Rezende Barbosa iniciou uma disputa judicial contra o Master por conta de uma debênture de R$ 400 milhões. Os vendedores alegaram inadimplência no pagamento das parcelas, resultando em um processo com valor da causa de R$ 470,5 milhões, encerrado por um acordo em novembro.
Crise de liquidez e dependência de captação via CDBs
A transação foi aprovada pelo regulador com exigências específicas, incluindo um plano rígido para sanar problemas de liquidez. Contudo, o banco manteve uma dependência elevada de captação através de Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
Problemas de liquidez ocorrem quando a instituição não possui caixa para honrar compromissos imediatos, como saques e resgates, apesar de deter ativos. A falta de conversibilidade rápida em espécie corrói a confiança e acaba forçando a intervenção da autoridade monetária.
Dados do Banco Central indicam que, em setembro, o Banco Pleno carregava passivos de R$ 6,8 bilhões, dos quais R$ 5,2 bilhões eram referentes a CDBs e R$ 760 milhões a letras financeiras. Devido ao aumento do risco, esses títulos passaram a ser negociados no mercado secundário com taxas elevadas, indicando vendas forçadas pelos investidores.
A participação do banco no sistema financeiro era reduzida, representando cerca de 0,04% dos ativos do setor até setembro do ano passado. O órgão regulador fundamentou a liquidação no agravamento da saúde financeira e no descumprimento de normas regulatórias.
“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.”

Fonte: G1