O empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e ex-controlador do Banco Pleno, tornou-se um dos alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18). A ação cumpre 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal, investigando suspeitas de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Investigações apontam ligação com senador Jaques Wagner
A operação também mira o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. As apurações da Polícia Federal indicam uma possível ligação entre o parlamentar e esquemas de fraudes envolvendo o Banco Master. Segundo documentos extraídos de celulares de Vorcaro, ex-dono do Banco Master que está preso em Brasília, Lima teria atuado para viabilizar a compra de carteiras do banco pelo Banco de Brasília (BRB).
O empresário já havia sido preso preventivamente em novembro do ano passado, durante a primeira fase da operação. Ele possui um histórico de proximidade com figuras políticas, incluindo o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Relatos indicam que Lima teria intermediado a contratação de Ricardo Lewandowski como consultor jurídico do Banco Master e participado de reuniões com o presidente Lula no final de 2024.
Histórico no setor financeiro e liquidação do Banco Pleno
Formado em economia, Augusto Lima ganhou notoriedade após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos em 2018, quando assumiu a operação do cartão consignado Credcesta. A expansão do produto, em parceria com o Banco Master, tornou-se alvo de apurações pela CPMI do INSS, que questionou a falta de transparência e estrutura na negociação de créditos para aposentados.
O Banco Pleno, controlado por Lima desde julho de 2025, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano. O regulador justificou a medida pelo agravamento da situação econômico-financeira da instituição, dificuldades de liquidez e descumprimento de normas regulatórias.
Defesa de Augusto Lima contesta diligências
Em nota, a defesa de Augusto Lima classificou as diligências da Polícia Federal como desnecessárias. Os advogados argumentam que o empresário tem colaborado com as autoridades nos últimos seis meses. A defesa sustenta que os fatos apurados são lícitos e que Lima sempre atuou com transparência e observância às normas do sistema financeiro.
Fonte: Globo