A gabiroba gigante, uma fruta endêmica da Mata Atlântica encontrada na Região Serrana do Espírito Santo, ganha destaque pelo seu valor gastronômico e potencial econômico. Com frutos que podem pesar até 400 gramas, a espécie atrai atenção de produtores e chefs de cozinha, sendo comercializada por valores que chegam a R$ 100 o quilo devido à sua raridade.

A pesquisadora do Instituto Mata Atlântica (Inma), Nara Mota, explica que a espécie é pouco coletada e apresenta um ciclo de desenvolvimento rápido. “Trata-se de uma espécie rara, pouco coletada. Começa frutificar com três anos de vida, o que para uma árvore é muito rápido. O tronco tem casca rugosa e se descama, assim como outras espécies da família (jabuticaba, pitanga, araça)”, afirmou a especialista.
Propriedades nutricionais e benefícios
Além do valor comercial, a fruta possui um perfil nutricional relevante. Segundo a nutricionista Danielle Laporte, a gabiroba é rica em compostos bioativos, vitamina C e fibras, auxiliando no controle da saúde intestinal e na redução da absorção de gorduras e açúcares. O consumo regular também contribui para a saúde óssea e muscular devido à presença de potássio, cálcio e magnésio.
“Essa propriedade ajuda a reduzir o estresse oxidativo e a proteger o corpo contra diversas doenças. Ela também tem alto teor de vitamina C, o que ajuda a fortalecer o sistema imunológico. É rica em fibras que ajudam na saúde intestinal. E também como tem muitas fibras ajuda a diminuir a absorção de gorduras e açúcares, auxiliando na saúde cardiovascular”, detalhou Laporte.
Versatilidade na gastronomia regional
A acidez marcante da fruta, descrita como quatro vezes superior à do limão, permite uma ampla gama de aplicações culinárias, desde geleias e brigadeiros até pratos salgados como ceviche. O chef Ricardo Silva, que atua em Vargem Alta, destaca a dinâmica do ingrediente na cozinha.
“É uma fruta que tem um índice de acidez maravilhoso, sabor fantástico, a suculência, e ela é bem dinâmica, você consegue trabalhar e usar em muita coisa na cozinha. A gabiroba é 4 vezes mais ácida que o limão, ela dá uma explosão na sua boca. Quando o público experimenta é um choque de realidade, é uma cosia muito bacana, porque eles não conheciam. Algumas pessoas tem memória afetiva e os mais novos ficam maravilhados pelo sabor”, ressaltou o chef.
O cultivo da espécie exige condições específicas, como temperaturas amenas e a presença de polinizadores como a abelha uruçu-capixaba. O empresário Adenilson Panzini, que mantém um exemplar adulto em sua propriedade, colhe mais de 100 kg por safra. A produção, que ocorre entre julho e agosto, é destinada ao consumo próprio, doações e fornecimento para o setor gastronômico local.
Fonte: G1