Presidente Rodrigo Paz durante assinatura de decreto na Bolívia. Presidente Rodrigo Paz durante assinatura de decreto na Bolívia.

Rodrigo Paz promulga lei que regulamenta estado de emergência

Presidente boliviano Rodrigo Paz promulga lei para regulamentar estado de emergência após protestos causarem escassez e mortes no país.

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, promulgou nesta segunda-feira (8) a lei que regulamenta a declaração de estado de emergência, permitindo a implementação de medidas extraordinárias no país. O projeto de lei, aprovado no domingo (7) pela Câmara dos Deputados, estabelece as diretrizes para a aplicação da medida em cenários de distúrbios internos e outros eventos críticos.

Nesse contexto, a legislação concede à polícia um papel primordial na manutenção da ordem, contando com o apoio limitado das Forças Armadas. Paz, que completa sete meses de mandato nesta segunda-feira, não descartou a possibilidade de adotar a medida, ressaltando que qualquer decisão nesse sentido precisaria ser validada pelo Parlamento em um prazo de até 72 horas.

Após assinar o decreto, o presidente afirmou em coletiva de imprensa que a justificativa para a nova norma é “defender a grande maioria daqueles que querem nos atacar e interromper este processo democrático”. Ele acrescentou que o diálogo permanece como um pilar fundamental e reiterou que pretende cumprir seu mandato até 2030.

Bloqueios de estradas geram escassez e mortes

Os protestos, que já duram pouco mais de um mês, resultaram em bloqueios de estradas que se espalham por oito das nove regiões da Bolívia. A situação tem causado grave escassez de alimentos, combustível, medicamentos e oxigênio medicinal para os centros de saúde. A crise econômica e social, que impacta a estabilidade do país, reflete desafios similares aos observados em outros cenários de instabilidade global.

Segundo dados da Defensoria Pública, ao menos sete pessoas morreram por falta de atendimento médico e outras três faleceram no contexto direto dos protestos, incluindo um manifestante baleado durante uma operação contra bloqueios. No fim de semana, uma operação conjunta entre polícia e Exército em uma rodovia no leste do país resultou em diversos feridos.

O movimento é liderado pela Federação Camponesa Túpac Katari e pela Central Sindical dos Trabalhadores da Bolívia, contando com a participação de grupos alinhados ao ex-presidente Evo Morales. O que começou com reivindicações salariais e rejeição a medidas de austeridade consolidou-se com a exigência da renúncia de Paz.

Paz defende democracia e critica desestabilização

Questionado pela imprensa no final de maio sobre a possibilidade de decretar o estado de emergência, Paz respondeu: “Está na Constituição. Aqueles que não querem dialogar têm a Constituição como limite; essa é a fronteira.”

No domingo (7), o presidente respondeu a uma mensagem de apoio do Secretário de Defesa dos Estados Unidos na rede social X. “A Bolívia defende sua democracia com instituições, com diálogo e com o apoio de seu povo. Sempre atenderemos às demandas legítimas, mas não permitiremos que interesses narcoterroristas ajam para desestabilizar e destruir a democracia que nos custou tanto construir”, afirmou Paz.

O presidente também pontuou que “La Paz e El Alto ainda enfrentam momentos difíceis”, mas assegurou que existem “progressos concretos resultantes do trabalho e do diálogo com aqueles que estão comprometidos com um futuro melhor”. Paz prometeu continuar trabalhando “com firmeza até que a paz seja restaurada em todos os lares”.

Fonte: Cnnbrasil