Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, em sessão na Câmara dos Deputados. Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, em sessão na Câmara dos Deputados.

Alexandre de Moraes libera processo contra Eduardo Bolsonaro

Ministro Alexandre de Moraes libera ação penal contra Eduardo Bolsonaro por coação. PGR pede condenação após suspeitas de obstrução de investigações.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal ( STF ), liberou para julgamento a ação penal contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, acusado de coação no curso do processo. O caso investiga a atuação do político para obstruir as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado, episódio que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com a liberação, cabe agora ao ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do STF, definir a data para o julgamento. A Procuradoria-Geral da República ( PGR ) formalizou o pedido de condenação do ex-deputado, argumentando que ele buscou interferir nas apurações em curso.

“O inconformismo do réu materializou-se em atos concretos de hostilidade e promessas (efetivadas) de retaliação internacional, com o objetivo claro de paralisar as persecuções penais em curso, o que preenche integralmente os requisitos do tipo penal imputado”, afirmou a PGR em sua manifestação.

Defesa questiona imparcialidade da Primeira Turma

Como Eduardo Bolsonaro não constituiu advogado particular, a Defensoria Pública da União (DPU) assumiu a representação legal. A instituição apresentou pedido de nulidade do processo, argumentando que o réu está sendo julgado pela autoridade apontada como vítima direta dos fatos narrados na denúncia.

“No presente caso, o acusado está sendo processado e será julgado pela autoridade apontada como vítima direta da conduta que lhe é imputada na denúncia. Assim, qualquer decisão proferida nestes autos estará irremediavelmente comprometida em sua validade”, sustentou a Defensoria em suas alegações finais.

O ex-deputado, que reside nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, não compareceu ao interrogatório marcado pelo STF no mês passado, mesmo com a possibilidade de participação por videoconferência. O caso segue agora para a fase final de análise pelos ministros da Primeira Turma.

PGR aponta estratégia de sanções e pressão internacional

A acusação da PGR detalha que Eduardo Bolsonaro e o produtor de conteúdo Paulo Figueiredo teriam explorado conexões com integrantes do governo norte-americano para pressionar o Judiciário brasileiro. A estratégia envolveria a ameaça de sanções e tarifas contra o Brasil como represália ao julgamento dos envolvidos na tentativa de golpe.

“Os elementos reunidos nos autos comprovam, portanto, que Eduardo Nantes Bolsonaro praticou, de forma continuada, o crime que lhe é imputado na denúncia”, reforçou a Procuradoria. O debate sobre o uso de tarifas e sanções comerciais como ferramenta de pressão política tem sido um ponto central nas discussões sobre a soberania e as relações diplomáticas do país.

Eduardo Bolsonaro em evento oficial
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, é réu em ação penal no STF.

Fonte: G1