O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o governo brasileiro não pode aceitar o tratamento dispensado pelos Estados Unidos nesta semana. A declaração foi feita durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, convocada para definir diretrizes e alinhar a comunicação oficial nos meses finais de mandato.
O descontentamento do presidente decorre da proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Além disso, foi sugerida uma sobretaxa adicional de 12,5%, sob a justificativa de supostas falhas no combate ao trabalho forçado, medida que Lula classificou como baseada em inverdades sobre o déficit comercial entre os dois países.
Lula aponta interesses eleitorais em sanções americanas
Sem mencionar nomes, o presidente acusou adversários políticos de fomentarem as medidas norte-americanas visando ganhos nas urnas. “Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, interesses rasteiros, de uma disputa eleitoral”, declarou o petista durante o encontro com sua equipe de ministros.
Lula reforçou que considera tal postura uma traição ao país, argumentando que as sanções prejudicam a população brasileira em vez de atingir exclusivamente o governo. Além da oposição, o presidente direcionou críticas ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificando-o como um “latino-americano frustrado”.
Governo brasileiro planeja contra-ataque diplomático
Diante do impasse, o presidente anunciou que pretende enviar uma nova carta ao presidente Donald Trump. A estratégia também inclui a publicação de artigos na imprensa internacional para contestar os argumentos americanos e reiterar que o Brasil não adotará uma “política de vira-lata” nas relações comerciais.
Caso as barreiras sejam mantidas, o governo sinalizou que buscará novos parceiros globais para escoar a produção nacional. A pauta externa domina o noticiário, mas a reunião também serviu para consolidar o planejamento da gestão interna até o fim do mandato.
Prazo final para entregas do governo ocorre em julho
Além da diplomacia, Lula orientou sua equipe ministerial sobre o cronograma eleitoral. O presidente determinou que não sejam apresentadas novas iniciativas e que o foco seja a entrega de ações já planejadas até o dia 3 de julho, data limite imposta pela legislação para inaugurações e convênios.
O chefe do Executivo também cobrou um alinhamento rigoroso com a Casa Civil. A medida visa evitar que ações governamentais sejam realizadas sem o devido conhecimento ou anuência da estrutura central do governo, garantindo a coesão nas entregas finais.
Fonte: G1