A China afirmou nesta quarta-feira (3) que se opõe a tarifas unilaterais e negou veementemente acusações de uso de trabalho forçado. A posição chinesa ocorre após os Estados Unidos proporem novas taxas sobre importações de cerca de 60 economias.
A medida dos EUA surge após uma investigação americana concluir que diversos países, incluindo a China e o Brasil, falharam em proibir a entrada de mercadorias produzidas sob condições irregulares. Como resposta, Washington propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos dessas nações.
“Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política”, disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, em coletiva de imprensa.
A estratégia americana busca um endurecimento comercial baseado em direitos trabalhistas. Enquanto isso, os mercados asiáticos reagiram de forma mista: o índice Hang Seng, em Hong Kong, caiu 1,6%, enquanto bolsas da China continental registraram leves altas.
Sobretaxa de 12,5% afeta Brasil e outras nações
A proposta de tarifa de 12,5% foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O Brasil está no grupo que poderá enfrentar a sobretaxa, ao lado de países como Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul.
O governo americano receberá contribuições públicas até 6 de julho e realizará audiências no dia seguinte antes da decisão final. A Alemanha, por sua vez, afirmou que a decisão não se aplica ao país, citando o acordo vigente com a União Europeia para a estabilização das relações comerciais transatlânticas.
Reações da França e México sobre as medidas
O ministro do comércio francês, Nicolas Forissier, comentou sobre o anúncio: “Se entendi corretamente, refere-se a investigações ligadas a potenciais suspeitas de trabalho forçado. Como sabe, este não é o caso da França ou da União Europeia, que sempre esteve na vanguarda desta questão. Portanto, não me sinto, e nós não nos sentimos, preocupados”.
Já o Ministério da economia do México informou que o comércio sob o acordo USMCA estará isento da tarifa. A pasta destacou que a medida exclui automóveis, aço e alumínio, e planeja dialogar com o governo americano nos próximos 45 dias sobre remessas específicas.

Fonte: G1