Senado aprova projeto que derruba diretrizes do Conanda sobre aborto legal em contexto de Política Econômica Senado aprova projeto que derruba diretrizes do Conanda sobre aborto legal em contexto de Política Econômica

Senado aprova projeto que derruba diretrizes do Conanda sobre aborto legal

O Senado aprovou o PDL 3/2025 que revoga a Resolução 258/2024 do Conanda, impactando fluxos de atendimento para aborto legal em vítimas de violência.

O plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (2), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 3/2025, que susta os efeitos da Resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A norma revogada estabelecia diretrizes nacionais integradas para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, incluindo os protocolos de acesso ao aborto legal.

Sustação da Resolução 258/2024 altera fluxos de atendimento

A resolução do Conanda suspendida criava um fluxo de trabalho unificado entre as esferas de saúde, assistência social, segurança pública e Justiça. O protocolo tinha como objetivo agilizar o acesso ao procedimento médico, garantindo sigilo e assistência jurídica, além de dispensar a exigência de apresentação de boletim de ocorrência ou de autorização judicial em casos específicos.

Com a aprovação da medida pelo Legislativo, o país perde o protocolo unificado de atendimento. Órgãos como o Ministério das Mulheres e o Ministério dos Direitos Humanos alertaram que a ausência dessas diretrizes pode resultar em disparidades no atendimento entre municípios e estados, tornando o processo mais burocrático e sujeito a interpretações divergentes em hospitais e conselhos tutelares.

Código Penal permanece inalterado após votação no Congresso

A votação no Congresso não altera as previsões do Código Penal brasileiro. O aborto em casos de estupro permanece garantido conforme o artigo 128, inciso II, do decreto-lei de 1940. O PDL incide apenas sobre um ato normativo infralegal, removendo as orientações administrativas que buscavam padronizar o exercício desse direito na rede pública de saúde.

Relatora aponta extrapolação de competências pelo Conanda

A proposta tramitou de forma simbólica e foi aprovada em menos de dois minutos após ser incluída como item extrapauta. A relatora da matéria, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), afirmou que a resolução do Conanda extrapolava competências e enfraquecia o poder familiar ao permitir procedimentos sem a participação direta dos responsáveis legais.

Por se tratar de um Projeto de Decreto Legislativo, o texto não necessita de sanção presidencial. A medida segue diretamente para promulgação pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).

Fonte: Globo