Fachada de hotel em Havana vinculado ao conglomerado GAESA. Fachada de hotel em Havana vinculado ao conglomerado GAESA.

Cuba defende conglomerado militar GAESA sob sanções dos EUA

Governo de Cuba defende o conglomerado militar GAESA, alvo de sanções dos EUA, enquanto grandes redes hoteleiras rompem laços com a estatal na ilha.

O governo de Cuba defendeu nesta terça-feira (2) o GAESA, conglomerado controlado pelos militares e alvo de sanções dos Estados Unidos. As autoridades cubanas afirmam que o grupo empresarial contribuiu para o desenvolvimento econômico e social do país, mesmo diante da intensificação da pressão política e econômica vinda de Washington.

O governo do então presidente dos EUA, Donald Trump, acusa a GAESA de acumular secretamente lucros das indústrias mais valiosas da ilha. Segundo as autoridades americanas, esses recursos seriam utilizados em benefício direto dos militares e da elite cubana, em um esforço para estrangular a economia local e forçar uma mudança de regime.

Em comunicado oficial, Cuba negou as acusações de corrupção contra o conglomerado. O governo cubano classificou a GAESA como uma resposta cuidadosamente elaborada e comprovadamente eficaz contra o bloqueio econômico que historicamente tentou sufocar a Revolução Cubana, rejeitando a ideia de que o grupo seja uma estrutura opaca ou paralela ao Estado.

Embora não existam dados públicos precisos sobre a participação da GAESA na economia, estimativas externas indicam que o conglomerado controla entre 40% e 70% do mercado. O grupo detém a gestão de diversos hotéis cinco estrelas situados em praias e áreas privilegiadas de Havana, setores que sofrem com o impacto no mercado gerado por sanções internacionais.

Redes hoteleiras rompem laços com o conglomerado GAESA

Diante das ameaças de sanções e da ordem executiva de 1º de maio, que ampliou as restrições a qualquer entidade estrangeira operando na ilha, grandes redes hoteleiras iniciaram um distanciamento da GAESA. A canadense Blue Diamond Resorts e a espanhola Iberostar decidiram romper relações com hotéis vinculados ao conglomerado militar.

A transição, que termina nesta sexta-feira (5), não implica necessariamente o fechamento das unidades. Segundo fontes do setor, a administração dos hotéis deve ser transferida para a Gaviota, empresa de turismo ligada à própria GAESA. Enquanto a Blue Diamond planeja deixar Cuba, a Iberostar deve manter operações em estabelecimentos que não possuam vínculos com o conglomerado sancionado.

Logística marítima e setor aéreo enfrentam restrições

As sanções americanas também impactaram a infraestrutura logística e o fluxo de visitantes. Empresas de transporte marítimo, como a CMA CGM e a Hapag-Lloyd, suspenderam reservas de e para Cuba, o que coloca em risco até 60% do tráfego marítimo da ilha. O cenário de incertezas econômicas reflete a fragilidade do país diante de medidas externas que afetam o comércio global.

O setor aéreo também sofre as consequências diretas da crise. Companhias como a russa Rossiya e a Air Canada suspenderam voos para o destino, citando a escassez de combustível de aviação e a queda acentuada na demanda turística. A situação reforça o isolamento enfrentado pelo país em meio à disputa geopolítica com os Estados Unidos.

Fonte: Cnnbrasil