Fachada do STF em Brasília durante julgamento de recursos das big techs. Fachada do STF em Brasília durante julgamento de recursos das big techs.

STF julga recursos de big techs sobre responsabilidade em 10 de junho

O STF julga em 10 de junho recursos de big techs sobre a responsabilização por conteúdos nas redes, após novos decretos regularem o Marco Civil.

O Supremo Tribunal Federal ( STF ) marcou para o dia 10 de junho o julgamento de recursos apresentados por plataformas digitais. As companhias de tecnologia contestam a decisão da Corte que ampliou a responsabilidade das empresas por conteúdos publicados por usuários em suas redes.

O debate ganhou novos contornos após a edição de dois decretos presidenciais que incorporaram diretrizes do STF à regulamentação do Marco Civil da Internet. Eduardo Felipe Matias, doutor em Direito Internacional pela usp, avaliou o cenário, destacando avanços e riscos nas normas publicadas.

STF analisa recursos sobre prazos e remoção de conteúdos

Em junho do ano passado, o STF estabeleceu uma tese com novas obrigações para as plataformas. O ponto central é a atuação proativa na remoção de conteúdos que configurem crimes. Após o resultado, as empresas recorreram questionando prazos, notificações extrajudiciais e o compartilhamento de dados com autoridades.

O julgamento, inicialmente previsto para o ambiente virtual, foi transferido para o plenário físico. Segundo informações reservadas, as empresas temem que os ministros antecipem opiniões favoráveis à constitucionalidade dos decretos presidenciais, o que limitaria contestações futuras.

Decretos ampliam fiscalização da ANPD e exigem remoções

Os decretos recentes incorporaram as obrigações do STF e ampliaram a fiscalização da Agência Nacional de Proteção de Dados ( ANPD ). Entre as medidas, destaca-se a exigência de remoção de imagens de nudez não consentida em até duas horas após a notificação da vítima.

Para Eduardo Felipe Matias, o conteúdo das normas é necessário, mas a forma gera questionamentos. “O caminho mais correto seria provavelmente o caminho do legislativo”, afirmou o especialista, ressaltando que a ampliação dos poderes da ANPD por decreto, sem respaldo em lei, é um ponto juridicamente contestável.

Matias aponta risco de censura e omissão do Legislativo

Matias identificou brechas nos decretos, especialmente na distinção entre crimes contra a democracia e opiniões. “O problema é quando eles começam a ser confundidos com opinião”, alertou. Outro ponto crítico é a possibilidade de a Advocacia-Geral da União ( AGU ) notificar plataformas para remover publicidades consideradas enganosas, o que poderia abrir espaço para censura.

O especialista reconhece que as plataformas deixaram de ser neutras ao impulsionar conteúdos via algoritmos, justificando maior responsabilização. No entanto, ele reforça que a regulamentação exige cautela. “Esses decretos são positivos no sentido do conteúdo deles, eles regulam algo necessário, mas eles podem abrir brechas, por isso que a regulamentação deles é muito importante”.

Além do STF, o Congresso Nacional enfrenta uma disputa sobre o tema. Mais de duas dezenas de propostas de decretos legislativos buscam anular as medidas presidenciais. Matias avalia que o cenário é complexo devido à omissão histórica do Legislativo. “Existe uma prerrogativa que seria do Congresso e que ele não exerceu”, concluiu.

Fonte: Cnnbrasil