O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), visitou o Mercado Central de Belo Horizonte nesta segunda-feira (1º). Durante a agenda, o parlamentar comentou a operação policial que mirou a ONG da produtora responsável pelo filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirmou não querer acreditar que está sendo alvo de uma “pescaria probatória” e “perseguição”.
“São duas coisas distintas. O que eu estou sabendo, que foi o que a Prefeitura de São Paulo anunciou, é que é um contrato antigo de uma prestação de serviço de internet. Não tem absolutamente nada a ver com o filme”, declarou o senador.
A ação da Polícia Civil paulista investiga o Instituto Conhecer Brasil (ICB) por suspeita de fraude em um contrato anual de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo. A instituição pertence à empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP, responsável pelo filme “Dark Horse”.
“Eu só não quero crer que a gente está sendo vítima, mais uma vez, de uma pescaria probatória, de uma perseguição, porque, se vão fazer uma operação para investigar irregularidades em um determinado contrato, que é de um ano e meio, dois anos para trás, tudo bem, as pessoas vão ter que explicar, o que não tem absolutamente nada a ver com o filme”, afirmou Flávio.
A visita ao mercado contou com a presença de aliados como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e o deputado estadual Bruno Engler (PL). O empresário Flávio Roscoe, cotado para a disputa ao governo de Minas Gerais pelo PL, também acompanhou o senador.
Prejuízo de R$ 3,1 bilhões nos Correios em 2026
Durante um evento sobre agronegócio realizado na mesma noite em Belo Horizonte, Flávio Bolsonaro reforçou que a produção cinematográfica não utilizou recursos públicos. O senador classificou a repercussão do caso como uma “cortina de fumaça” para desviar o foco de problemas na gestão federal.
“Há uma tentativa de criar uma cortina de fumaça para voltar a esse assunto quando, na verdade, o filme triste que a gente está vendo hoje é uma notícia dos Correios, mais de R$ 3 bilhões de endividamento. […] Eu não pedi dinheiro para ninguém, havia um contrato privado, com investimento privado para um filme privado”, declarou.
O pré-candidato citou o prejuízo de R$ 3,1 bilhões registrado pelos Correios no primeiro trimestre de 2026. O tema do agronegócio foi central no debate, onde Flávio discutiu propostas para a redução das taxas de juros no país.
Reuniões do senador com o dono do Banco Master
O parlamentar tem enfrentado desgaste público recente devido à divulgação de mensagens e registros de uma reunião com o dono do Banco Master. Documentos revelados indicam que Flávio cobrou recursos do ex-banqueiro para o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A polêmica também envolveu uma visita do parlamentar ao empresário enquanto este utilizava tornozeleira eletrônica, após ser preso por fraudes financeiras. Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade na relação mantida com o dono do banco.

Fonte: G1