O que você precisa saber
- Alex Karp, CEO daPalantir, publicou manifesto defendendo o uso deInteligência Artificialpara fortalecimento militar.
- Analistas e filósofos rotulam a visão da empresa como tecnofascista e tecnofeudalista devido à exaltação da força estatal.
- A companhia acumula desvalorização de **21,5% no semestre**, com queda de 7,5% nas ações na última sessão.
O documento, assinado por Alex Karp e Nicholas W. Zamiska, descreve um futuro no qual a tecnologia de vigilância torna-se o pilar central do poder estatal. A empresa propõe que o Vale do Silício assuma o comando da infraestrutura de armamentos modernos, sugerindo inclusive o retorno do serviço militar obrigatório.
Karp, ex-aluno do filósofo Jürgen Habermas, argumenta que o Ocidente deve retomar o uso de poder bruto para assegurar sua hegemonia. A estratégia da Palantir reforça o uso de sistemas como o Maven, que aplica IA para identificar alvos em conflitos, incluindo operações em regiões onde a Rússia mantém influência e apoio logístico.
Críticas ao modelo de gestão e ideologia
Varoufakis e a visão de tecnofeudalismo
O economista Yanis Varoufakis define a ideologia da Palantir como tecnofeudalismo. Para ele, os magnatas da tecnologia buscam validar seu domínio privado sobre estruturas críticas de poder estatal.
Tecnofascismo e riscos à vigilância
O filósofo Mark Coeckelbergh classifica o manifesto como tecnofascismo, alertando para os perigos de uma empresa privada influenciar diretamente a segurança nacional. O jornalista Gil Durán complementa que a exaltação da violência e da velocidade presente no texto remete a regimes autoritários, enquanto o professor Dave Karpf compara a postura de Karp a vilões da ficção cinematográfica.
Impacto no mercado e relações políticas
Desempenho financeiro em queda
Apesar do apoio político declarado pelo ex-presidente Donald Trump, o mercado reagiu com pessimismo. A Palantir perde valor enquanto enfrenta a concorrência de novas empresas de modelos de linguagem como a Anthropic, que ameaçam sua fatia de mercado.
Conflitos e reputação internacional
A empresa possui uma pontuação de apenas 2 em 10 em critérios de liberdades civis segundo a consultora MSCI. Além disso, a Anistia Internacional aponta falhas recorrentes no respeito aos direitos humanos por parte dos softwares de vigilância comercializados pela corporação.
Fonte: Elpais