A guerra entre o Irã e potências ocidentais, iniciada em fevereiro, desencadeou uma nova onda de repressão política no Oriente Médio. Governos de países do Golfo, como Bahrein e Kuwait, utilizam a revogação da cidadania como ferramenta para silenciar dissidentes e punir cidadãos considerados desleais ao Estado.

O que você precisa saber
- Governos do Golfo utilizam a cassação de nacionalidade para reprimir críticas e opositores políticos.
- A medida afeta minorias e cidadãos acusados de simpatia com oIrã, gerando insegurança jurídica.
- Especialistas apontam que a prática enfraquece o direito internacional e a estabilidade regional.
A estratégia de controle no Bahrein
O Bahrein, que já havia retirado a nacionalidade de quase 990 pessoas após a Primavera Árabe, retomou a prática em larga escala. Em março, autoridades realizaram cerca de **250 prisões** de indivíduos que expressaram opiniões contrárias à guerra ou simpatia pelo Irã.
O governo justifica as ações como uma questão de segurança nacional. Contudo, ativistas denunciam a perseguição sistemática a minorias xiitas e cidadãos de ascendência persa.
O impacto no Kuwait e a escala das revogações
O Kuwait apresenta um dos cenários mais críticos, com estimativas de que mais de **70 mil cidadãos** tenham perdido a nacionalidade desde março de 2024. O número total pode atingir 300 mil pessoas, considerando dependentes, o que representaria quase um quinto da população nativa.
A mudança nas leis de cidadania transformou o passaporte em um instrumento de controle político. Relatórios do Observatório Global de Cidadania indicam que a medida fragiliza direitos básicos de uma parcela expressiva da população.
A cidadania como arma global
A tendência de tratar a nacionalidade como um privilégio revogável, e não como um direito fundamental, não se restringe ao Oriente Médio. Nos Estados Unidos, o governo intensificou o escrutínio sobre a opinião política de residentes estrangeiros.
Na Europa, propostas legislativas sugerem a cassação de passaportes de cidadãos com dupla nacionalidade acusados de extremismo. O cenário reflete uma erosão das proteções estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial, conforme aponta a geopolítica atual.
Fonte: Dw