A persistência dos choques nos preços da energia será um fator determinante para a próxima decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). A avaliação é de Olaf Sleijpen, chefe do banco central holandês e membro do conselho da instituição.
Sleijpen reiterou que o objetivo do BCE em sua próxima reunião, agendada para daqui a duas semanas, continua sendo a estabilidade de preços. Qualquer decisão sobre as taxas de juros dependerá da evolução da dinâmica inflacionária.
“O que observaremos principalmente é até que ponto o aumento dos preços da energia, que já observamos e que já aumentou a inflação global, está se transmitindo para outros indicadores de preços”, explicou Sleijpen.
O BCE manteve as taxas de juros estáveis ao longo do último ano, mas considerou um aumento no mês anterior. Isso ocorreu devido ao impacto dos custos de energia mais altos, que elevaram a inflação significativamente acima da meta de 2% estabelecida pela instituição.
Sleijpen expressou preocupações crescentes sobre a duração do atual choque de energia, observando que os preços de mercado indicam que uma normalização iminente é improvável. Ele aguarda os dados mais recentes antes de formar uma opinião definitiva sobre a necessidade de aumentar as taxas de juros em junho.
Paralelamente, ele indicou que o aperto das condições financeiras e o enfraquecimento do cenário econômico já contribuem para conter a pressão inflacionária. “As condições financeiras se tornaram mais restritivas, as taxas de juros subiram, os bancos estão se tornando mais rigorosos quando se trata de empréstimos”, afirmou, acrescentando que as expectativas de crescimento e os indicadores de confiança estão em deterioração.
Os mercados financeiros antecipam entre dois e três aumentos nas taxas de juros. Um primeiro movimento é esperado para julho, com uma segunda elevação prevista para o outono europeu.
Fonte: Globo