Ministros de Relações Exteriores de países da Otan reuniram-se na Suécia para um encontro preparatório da cúpula de líderes agendada para julho. O debate central foca na necessidade de ampliar investimentos em segurança, pressionados pelas ameaças de Donald Trump de retirar os Estados Unidos da aliança militar.
O argumento de Trump é que os Estados Unidos financiam a Otan desproporcionalmente em comparação aos outros membros. Embora não haja uma regra jurídica obrigatória, o editor de Internacional Diego Pavão reforçou a existência de um compromisso informal para que cada nação destine ao menos 2% do PIB para o setor de defesa.
Polônia e Estados Unidos lideram investimentos em defesa
Atualmente, os Estados Unidos investem 3,2% do PIB em defesa, um montante de aproximadamente US$ 900 bilhões anuais. Segundo Trump, essa contribuição vultosa sustenta o bem-estar social europeu. Em contrapartida, a Polônia alcança a liderança proporcional ao investir 4,3% do PIB.
Pavão explicou que a Polônia se consolidou como um bastião de segurança na Europa Oriental devido à sua proximidade geográfica com a guerra na Ucrânia e a fronteira com Belarus. A movimentação de tropas reflete essa tensão, com o anúncio recente de Trump sobre o envio de 5 mil soldados norte-americanos para território polonês, em contraste com a saída de um contingente similar da Alemanha.
Guerra na Ucrânia força aumento de orçamentos europeus
Países bálticos como Lituânia e Letônia investem 4% e 3,7% do PIB, respectivamente, movidos pelo receio de uma expansão territorial russa. A Letônia chegou a reintroduzir o serviço militar obrigatório para reforçar suas fileiras. Enquanto isso, o Reino Unido mantém sua contribuição em 2,3% do PIB, apesar de atritos diplomáticos com Washington.
Já Canadá e Espanha permanecem abaixo da meta de 2%. Enquanto o governo canadense aponta a geografia como justificativa para o menor investimento, a Espanha argumenta que prioriza recursos para o combate ao terrorismo e acolhimento de refugiados. Pavão ressaltou que o cenário foi alterado profundamente pelo conflito no Leste Europeu.
“A guerra na Ucrânia assustou muito os europeus e fez os países repensarem os gastos com Defesa militar”, afirmou o editor. Ele observou que a equação é complexa, pois os europeus enfrentam custos sociais que não existem da mesma forma para os Estados Unidos, como o atendimento a refugiados do norte da África e do Oriente Médio.
Por fim, o especialista destacou que o aumento dos gastos europeus retorna à economia americana. “Ao investirem em defesa, os países europeus frequentemente adquirem armamentos dos Estados Unidos, o que acaba financiando a indústria bélica americana e gerando empregos no país norte-americano”, pontuou Pavão.
Fonte: Cnnbrasil