O mercado de criptomoedas acompanha com expectativa o avanço do Clarity Act nos Estados Unidos. O Comitê Bancário do Senado aprovou o projeto na quinta-feira passada. Agora, o texto segue para votação no plenário da casa antes de uma possível sanção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A proposta busca estabelecer regras mais claras para o mercado de bitcoin e criptomoedas, trazendo previsibilidade regulatória sobre o funcionamento do setor, incluindo definições sobre remuneração, produtos financeiros e atuação das empresas cripto no país.
Aprovação no comitê sinaliza entrada de capital institucional
Para Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, a aprovação no comitê já foi suficiente para movimentar o mercado. “O mercado cripto está ansioso pois isso significa maior fluxo comprador e clareza para que investidores institucionais possam comprar, negociar e investir nesse mercado”, observa.
Segundo ele, a regulamentação abre espaço para maior entrada de capital institucional no setor, algo considerado importante para o amadurecimento do mercado de cripto. O cenário atual reflete uma mudança de paradigma para ativos digitais que buscam maior legitimidade.
Bitcoin mantém volatilidade mesmo com regulação
Thiago Godoy, educador financeiro, destaca que o avanço regulatório representa uma mudança para um mercado que surgiu justamente como alternativa ao sistema financeiro tradicional. “É irônico pensar que o bitcoin e as criptomoedas nasceram como uma alternativa ao sistema financeiro tradicional, mas agora podem se beneficiar justamente da aproximação desse mercado, que começa a ‘abraçar’ o setor cripto”, afirma.
Apesar do otimismo, Godoy alerta que a regulamentação não elimina os riscos do ativo digital. “A regulamentação é importante, mas não significa que o bitcoin vai deixar de ser volátil. Ele continua sendo um ativo de risco mesmo com qualquer regulamentação”, diz.
Brasil foca debate regulatório em questões tributárias
No Brasil, o debate regulatório ainda acontece de forma diferente, mais concentrado em questões tributárias e operacionais do que em uma legislação ampla para o setor, analisa Pascowitch. “Não vejo essa discussão regulatória no Brasil no mesmo nível americano. O que vejo mais são discussões tributárias envolvendo bitcoin e criptomoedas”, acrescenta.
O tema segue sendo monitorado por especialistas, enquanto investidores observam como a economia americana molda as diretrizes globais para ativos digitais.
Fonte: Cnnbrasil