O CEO Global da Gerdau, Gustavo Werneck, destacou as origens da companhia dentro do agronegócio durante coletiva com jornalistas na Agrishow, em Ribeirão Preto. A empresa, que possui 125 anos de história, mantém uma conexão profunda com o setor desde sua fundação.
“Apesar da Gerdau ter nascido há 125 anos em 1901, a história da companhia começa 30 anos antes, quando o primeiro ‘Gerdau’ saiu da Alemanha e veio para o Rio Grande do Sul para plantar arroz na margem do Rio Jacuí. Essa proximidade com a agricultura está nas nossas raízes. Temos produtos desde os arames e cercas das fazendas até o aço presente em inevitavelmente todas as máquinas aqui da Agrishow”, afirmou Werneck.
O agronegócio representa cerca de 10% da carteira da Gerdau e a companhia espera continuar crescendo no setor. Segundo o executivo, o crescimento da empresa está ligado ao avanço do PIB do agro e, embora haja desafios no curto prazo, o segmento continua como “absolutamente estratégico”.
Selic em patamar elevado e a falta de previsibilidade no campo
Questionado sobre o momento atual do setor e a possibilidade de uma crise, Werneck afirmou que a principal preocupação não é a competitividade, mas a falta de previsibilidade econômica. O cenário atual de juros elevados impacta diretamente o planejamento dos produtores rurais.
“O agro avançou muito em tecnologia, inovação e mecanização. O setor está preparado, mas falta clareza sobre o que vem pela frente. Não dá para ficar refém de uma taxa de juros tão alta e de um nível de endividamento tão elevado. Não dá para imaginar que o produtor supere esse endividamento e, em uma ou duas safras, enfrente uma crise climática e se endivide novamente”, declarou o CEO.
Para o executivo, o cenário é conjuntural, mas exige ação. “Acho que o momento é passageiro e tem tudo para melhorar, mas será necessária uma nova intervenção em nível de política pública do governo federal, para dar mais previsibilidade. Com mais segurança, o produtor volta a investir”, completou.
Ociosidade industrial e pressão nos custos globais
Werneck também destacou o papel da Agrishow como termômetro do setor. “Eventos como este ajudam a criar um otimismo coletivo e consolidar percepções sobre o mercado. Mas esse otimismo não elimina os desafios”, disse. “Um exemplo é o setor de veículos pesados, que está bastante enfraquecido. A Gerdau investiu fortemente em uma planta de aços especiais em Pindamonhangaba, voltada para essa indústria, e hoje operamos com ociosidade por falta de pedidos”, completou.
Sobre a volatilidade global, intensificada por conflitos no Oriente Médio, Werneck afirmou que esse ambiente deve persistir. “O mundo mudou muito. Quando esse conflito terminar, outros virão. O Brasil e suas empresas precisam aprimorar a gestão de risco, e o governo deve criar mecanismos para reduzir o impacto desses eventos sobre as companhias brasileiras.”
Os efeitos para a Gerdau se concentram principalmente nos custos energéticos. A alta do petróleo pressiona o carvão e diversos insumos, já que muitos fornecedores ainda dependem de energia fóssil. “Estamos sentindo essa pressão diariamente, com fornecedores pedindo reajustes com frequência. Isso já é uma realidade para toda a economia brasileira”, concluiu.
Fonte: Moneytimes