Navios de ajuda humanitária interceptados por forças israelenses em águas internacionais. Navios de ajuda humanitária interceptados por forças israelenses em águas internacionais.

Israel intercepta frota de ajuda humanitária em águas internacionais

Israel intercepta frota com 175 ativistas em águas internacionais próximo à Grécia. Organizações denunciam pirataria e crise humanitária em Gaza.

O governo de Israel interceptou mais de vinte navios que transportavam ajuda humanitária com 175 ativistas a bordo, segundo informações divulgadas pelo Ministério das Relações Exteriores israelense nesta quinta-feira. As embarcações seguiam em direção à Faixa de Gaza quando foram abordadas em águas internacionais, nas proximidades da Grécia.

Embarcações humanitárias abordadas por militares em águas internacionais
Frota humanitária interceptada em operação naval.

Esta missão ocorre após a interceptação de um grupo de cerca de 45 embarcações no ano anterior. Palestinos e organizações internacionais de auxílio afirmam que o volume de suprimentos que chega à região é insuficiente para atender às necessidades básicas da população.

Ação militar perto de Creta e acusações de pirataria

Segundo a organização Global Sumud Flotilla, barcos militares israelenses apreenderam 15 navios perto de Creta, a centenas de quilômetros de Gaza. O grupo relatou que os ativistas foram abordados por lanchas rápidas, com militares apontando lasers e armas de assalto semiautomáticas, ordenando que os participantes se posicionassem na parte frontal das embarcações.

“Nossos barcos foram abordados por lanchas militares, autodeclaradas como israelenses, apontando lasers e armas de assalto semiautomáticas, ordenando aos participantes que fossem para a frente dos barcos e ficassem de joelhos”, afirmou a organização em uma publicação na rede social X.

“Isso é pirataria”, declarou o grupo em nota oficial. “Esta é a apreensão ilegal de seres humanos em alto-mar perto de Creta, uma afirmação de que Israel pode operar com total impunidade, muito além de suas próprias fronteiras, sem consequências”, acrescentou a organização.

O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, afirmou que a frota “foi parada antes de chegar à nossa área”, classificando os ativistas a bordo como “agitadores em busca de atenção”. Esta missão de primavera incluiu mais de 50 barcos, sendo a maior ação marítima civil coordenada para os territórios palestinos até o momento.

Bloqueio naval e crise humanitária em Gaza

Israel estabeleceu o bloqueio naval em Gaza em 2007, após o Hamas assumir o controle administrativo do território. O governo israelense sustenta que a medida é necessária para impedir que o grupo militante importe armamentos. Em contrapartida, diversas organizações de direitos humanos argumentam que o bloqueio constitui punição coletiva, prática considerada ilegal pelo direito internacional.

A situação humanitária na região deteriorou-se drasticamente desde o início do conflito entre Israel e Hamas, desencadeado pelos ataques de 7 de outubro de 2023. Apesar de um cessar-fogo declarado em 25 de outubro, os ataques continuaram, resultando na morte de centenas de palestinos no enclave.

Autoridades da ONU alertaram que, como parte da campanha militar, Israel estaria cometendo crimes de guerra, incluindo fome deliberada e limpeza étnica. Segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, mais de 72 mil palestinos, incluindo pelo menos 21 mil crianças, foram mortos desde o início das hostilidades em outubro de 2023.

Fonte: Dw